Nova regra no ranking da CBV gera reclamações de atletas

A partir da próxima temporada, equipes poderão inscrever apenas duas atletas de sete pontos, ao invés de duas;

iG Minas Gerais | DANIEL OTTONI |

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Uma importante mudança na regra do ranking do vôlei nacional gerou muitas reclamações por parte de alguns atletas na tarde desta segunda-feira. Após reunião entre Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e os clubes participantes da Superliga feminina de vôlei, ficou definido que, a partir da temporada 2014/2015, os times terão direito a apenas duas jogadoras com sete pontos no ranking em seu elenco. A regra atual permite a inscrição de até três jogadoras deste nível.

A pontuação acontece de acordo com a carreira e desempenho do atleta nas últimas temporadas. Jogadores que chegam do exterior possuem zero ponto, assim como aqueles com apenas um time no currículo profissional. A decisão deve ser anunciada pela CBV nos próximos dias. 

Um dos principais fatores para a manifestação conjunta foi o fato da ponta Jaqueline, do Molico-Nestlé, permanecer com sete pontos para a próxima temporada, mesmo depois de ficar sem jogar na atual. Ela se dedica à gravidez e era esperado que sua pontuação fosse diminuída.

Jogadores do nível do central Gustavo, dos pontas Murilo e Filipe e da própria Jaqueline utilizaram as redes sociais para se manifestar contra a decisão.

"Meu Deus onde vou jogar? O que vou fazer na próxima temporada? Somente dois atletas de sete pontos por equipe! E eu sou uma delas. Acabaram comigo. E olhe que eu nem joguei essa temporada! Defendi o meu país com unhas e dentes e agora não sei o que  fazer. Os atletas que jogam na seleção só se prejudicam com esse ranking! Eu sou uma delas...", desabafou a atleta.

A ideia do ranking é tentar equilibrar o torneio, que conta, há vários anos, com dois times que se sobressaem aos adversários (Molico-Nestlé e Unilever-RJ). Os títulos das últimas 11 temporadas ficaram com um destes times, que possuem importante ajuda financeira de grandes empresas

No entanto, neste ano, outros clubes também entraram forte e começaram a incomodar, como Vôlei Amil-SP, segundo colocado, na frente das cariocas e o mineiro Banana Boat-Praia Clube, de Uberlândia.

Atletas preferem fim do ranking

Para os jogadores que divulgaram seus manifestos, a opinião é que o ranking não tem, hoje, a mesma eficiência de outras datas. Mesmo com o limite de três atletas de sete pontos por time, as equipes com mais recursos continuam montando elencos mais fortes. Outros nomes como Riad, Dani Lins e Sidão apoiaram a ideia por meio das hashtag #naoaoranking.

Transferências devem movimentar o mercado

A nova pontuação ainda não foi divulgada pela CBV. Apesar do ranking tentar equilibrar as equipes, a diferença de qualidade entre as de maior investimento para as restantes ainda é grande. Com a nova regra, algumas das jogadoras de sete pontos teriam que buscar por outras equipes para atuar, dentro ou fora do Brasil. No caso de permanecer no país, tudo dependeria da condição financeira do time.

"Nada impede que uma jogadora deste nível vá para um outro time que tenha boa estrutura, incluindo aí a parte administrativa. Pode ser o começo de uma evolução do elenco. O Praia Clube é um ótimo exemplo disso", alerta Marco Queiroga, treinador do Decisão Engenharia-Minas, que esteve na reunião.

Para ele, a decisão é válida pela intenção. "Temos que tentar, constantemente, fazer o que for melhor para o crescimento do vôlei brasileira. Isso serve para evitar disparidade e dar mais equilíbrio. Temos que pensar no coletivo e não no individual", comenta o treinador.