A greve de fome de Didi e a ajuda de Nilton Santos

Série especial conta a história de um dos maiores craques do futebol do brasileiro que, por causa da esposa, fez greve de fome em 1954

iG Minas Gerais | GABRIEL PAZINI* |

Didi e Guiomar protagonizaram várias histórias que estão marcadas no folclore do futebol brasileiro
Divulgação
Didi e Guiomar protagonizaram várias histórias que estão marcadas no folclore do futebol brasileiro

A Copa do Mundo de 1954 é, sem sombra de dúvidas, uma das mais fantásticas da história. A Suíça presenciou partidas lendárias como "O Milagre de Berna" e a "Batalha de Berna"; e grandes esquadrões como o extraordinário time da Hungria, com gênios como Puskás e Kocsis, a Alemanha de Fritz Walter e Hahn, e o Brasil de Didi, Julinho, Djalma e Nilton Santos. Tudo isso marcou a primeira Copa do Mundo televisionada, que teve a maior média de gols da história dos Mundiais, com mais de cinco tentos por jogo.

No entanto, as deliciosas histórias daquele campeonato disputado na Suíça também o tornam inesquecível. Na semana passada, a série Manuscritos da Copa contou a história de Mário Vianna. Nesta semana, a história envolve Didi, um dos maiores jogadores do futebol brasileiro.

Craque de bola, o espetacular meia também era "mandão". Didi sempre foi "o cara que mandava" em todos os clubes que jogou, com exceção do Real Madrid de Puskás e Di Stéfano. No entanto, fora de campo, as palavras e atitudes do talentoso meia não eram prioridade. Quem mandava era sua esposa, dona Guiomar.

Acostumada a visitar a concentração da seleção, Guiomar foi proibida de ficar com seu marido durante os treinos na Suíça para a Copa do Mundo. Foi um verdadeiro barraco e Didi, não satisfeito com o acontecimento e pressionado pela esposa, fez greve de fome.

A comissão técnica não cedeu, mesmo com Didi sendo o grande maestro do escrete canarinho. No entanto, Nilton Santos, preocupado com a saúde do amigo e o sucesso da seleção, resolveu ajudar Didi.

"Você está aqui para treinar e jogar, consequentemente queimar carvão. Se você não se alimentar, não vai aguentar. Te ajudo, não conto a ninguém, mas vou começar a roubar comida no restaurante e trazer para você", disse, na época, o lendário jogador brasileiro ao 'Príncipe da Folha Seca'.

E como promessa é dívida, Nilton Santos levou comida para Didi durante a preparação brasileira na Suíça. Para garantir as refeições do amigo, o defensor usava um casaco grande, abastecia os bolsos, e levava a comida para o quarto do companheiro.

No fim das contas, todo o esforço da dupla e o barraco de dona Guiomar não fizeram o Brasil conquistar a primeira Copa do Mundo naquela oportunidade, mas a história ficou marcada no folclore do futebol brasileiro.

*Com supervisão de Leandro Cabido

A série "Manuscritos da Copa" vai contar uma história diferente sobre os Mundiais toda semana até o início da Copa do Mundo.