Grevistas deixam Betim sem limpeza, saúde e educação

Garis e professores invadem a prefeitura e fazem barreira na BR–381 contra baixos salários

iG Minas Gerais | José Augusto Flávia Jardim |

Paralisação. Em manifestação, servidores da educação paralisaram a BR–381 na manhã de ontem, gerando congestionamento de 8km
Nelson Batista
Paralisação. Em manifestação, servidores da educação paralisaram a BR–381 na manhã de ontem, gerando congestionamento de 8km

Paralisações realizadas por três categorias de funcionários municipais, que reivindicam melhores salários e condições de trabalho, afetaram vários serviços essenciais em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Garis, varredores de ruas e agentes que fazem a limpeza das creches cruzaram os braços em sinal de protesto. Assim como os profissionais da limpeza urbana do Rio de Janeiro, eles reivindicam, além de reajuste de 10% e de condições mais adequadas para o trabalho, o adicional de 40% por insalubridade.

A categoria é toda formada por trabalhadores contratados pela prefeitura através de empresas terceirizadas. Segundo a diretora do Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio, Conservação e Limpeza Urbana da Região Metropolitana (Sindi-Asseio), Simone Jaqueline, dos 240 trabalhadores do setor, 150 aderiram ao movimento.

“A nossa data-base foi em janeiro, mas, desde então, a prefeitura não fez nenhum acordo com as empresas. Por isso, estamos em greve. Além do adicional de insalubridade e do reajuste, também queremos que sejam pagos os salários atrasados dos profissionais das creches municipais, já que eles ainda não receberam a remuneração deste mês”, disse a sindicalista.

Em Betim, um gari em início de carreira tem piso de R$ 689, acrescido de 10% de adicional por insalubridade. No Rio, após as manifestações, esse adicional subiu para 40%.

Após invadirem o prédio da prefeitura, os trabalhadores da limpeza saíram em caminhada pelas ruas do centro da cidade. Houve congestionamento e transtorno para motoristas e pedestres. Já no fim da manhã, o problema foi agravado pela mobilização nacional dos educadores públicos.

Educação. Professores e outros profissionais de escolas municipais e estaduais de Betim fizeram uma passeata na praça Milton Campos. Logo depois, cerca de 150 educadores paralisaram a BR–381, na altura do bairro Citrolândia, causando um congestionamento de mais de 8 km nos dois sentidos.

O protesto faz parte de uma paralisação nacional, que deve ser mantida até quarta-feira, com a possibilidade de ser estendida em Betim. Segundo a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Denise Romano, os trabalhadores betinenses podem continuar em greve caso o governo não negocie com a categoria. Segundo ela, 90% dos professores aderiram ao movimento, deixando 45 mil alunos sem aulas.

“Até agora, a prefeitura não sinalizou qualquer negociação. Protocolamos nossa pauta em 10 de fevereiro, mas não tivemos resposta. Se a prefeitura não abrir negociações, vamos radicalizar o movimento, inclusive com a possibilidade de começarmos uma greve por tempo indeterminado”, afirmou Denise.

Os educadores exigem um reajuste de 34%, o que inclui o aumento do piso nacional dos profissionais, de 8,32%, mais a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos. A pauta traz ainda itens que foram acordados com o município na campanha salarial de 2013, mas que não foram cumpridos.

A assessoria da Prefeitura de Betim informou que as reivindicações serão estudadas por uma comissão formada por integrantes do governo e dos funcionários, porém, o início das negociações só ocorrerá em abril, mês de vencimento da data-base.

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