Desnível pode ser padronizado

Sindicato afirma que diferença de altura entre plataforma e ônibus vai existir em toda Antônio Carlos

iG Minas Gerais | Joana Suarez Luciene Câmara |

Generalizado. Desnível entre ônibus e estações pode causar tropeções e quedas, além de atrasar viagens dos veículos do Move
ALEX DE JESUS/O TEMPO
Generalizado. Desnível entre ônibus e estações pode causar tropeções e quedas, além de atrasar viagens dos veículos do Move

O início dos testes do Move (nome dado ao BRT da capital) na avenida Antônio Carlos apontou falhas na obra – orçada em R$ 588,2 milhões –, que já se estende há quase quatro anos. A Estação Pampulha apresenta ondulações na plataforma e as estações de transferência não estão alinhadas com os ônibus. Com isso, os passageiros terão que subir ou descer um degrau ao embarcar e desembarcar, respectivamente. A reportagem observou o problema em ao menos quatro estações do corredor, mas o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram) afirma que a situação vai se repetir em todos os 26 terminais da via, já que eles são padronizados.

O desnível foi percebido pela reportagem nas estações onde está sendo feito o treinamento dos motoristas, próximas ao Mineirão, ao viaduto São Francisco, ao Corpo de Bombeiros, e em frente à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde a altura da plataforma chegou a ser 10 cm superior ao piso dos ônibus.

“A BHTrans cobra que os motoristas parem a uma distância máxima de 13 cm das estações. Mas não justifica eles determinarem essa regra se há um desnível que pode provocar a queda de usuários. Onde paramos observamos o desnível”, afirmou o instrutor da empresa Saritur, Emerson Guimarães, que ontem auxiliava motoristas nos testes operacionais.

Os sindicatos das empresas de transporte de passageiros da capital e região metropolitana – Setra-BH e Sintram, respectivamente – informaram que os ônibus do Move, embora tenham marcas e montadoras diferentes, seguem um padrão: a altura entre o chão e o piso do veículo é de 95 cm, com margem de erro de 2 cm para mais ou para menos.

A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) e a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) – responsável pelas obras – ainda não se manifestaram sobre os problemas e providências a serem tomadas.

Um agente da BHTrans que não quis ser identificado comentou que em casos de desnível podem ser usadas rampas, que estão disponíveis nos veículos e preenchem o vão entre o ônibus e a plataforma. No entanto, conforme o técnico demonstrou à equipe de O TEMPO, alguns veículos têm apenas uma rampa, acionada manualmente. Como ela é uma peça dobrável, não traria segurança se a plataforma estiver acima do veículo. Além disso, seu uso atrasaria as viagens.

Outras falhas. Os motoristas do sistema também se queixam da falta de sinalizadores indicando o ponto exato em que eles devem parar para que as portas dos veículos fiquem alinhadas às portas dos terminais.

“O problema é que cada veículo é de uma fábrica e tem tamanhos distintos. Por isso, nem todos vão se encaixar na mesma marcação”, completou o instrutor.

Entenda como funcionou a auditoria

Como surgiu. A auditoria foi contratada em março do ano passado pela BHTrans. A ideia era verificar se há um equilíbrio econômico-financeiro no contrato firmado com as empresas de ônibus.

 

Pesquisa. A auditoria fez um levantamento de receitas, custos e investimentos no sistema e avaliação de eventuais ganhos de produtividade, além da verificação do cumprimento de cláusulas contratuais por parte dos concessionários.

 

Período. O estudo, feito pela empresa Ernest & Young, analisou dados de 2008 a 2012. O estudo custou R$ 1,97 milhão.

Prazos. A previsão inicial de divulgação da auditoria era novembro de 2013, porém, os três primeiros relatórios só foram divulgados no mês passado. O resultado final da auditoria deve sair ainda neste mês.

 

Protestos.A apresentação dos dados da auditoria e a redução da tarifa de ônibus foram duas das principais reivindicações das manifestações ocorridas em Belo Horizonte em junho e julho de 2013, durante a Copa das Confederações.

Saiba mais

Proibição. Conforme o Sindicato dos Taxistas , a BHTrans teria informado que táxis não poderão mais rodar no corredor exclusivo da avenida para o Move. A categoria questiona a medida.

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