Aécio e o passadismo

iG Minas Gerais |

Aécio foi veladamente apontado pelo presidente do PT como encarnação do “neopassadismo” (ou reencarnação do passadismo, tanto faz). Retrucou o senador acusando os adversários de estarem “à beira de um ataque de nervos” e de fazerem neologismos sem lógica. Fato é que veio agora a conhecimento público que o tucano tentou, por via judicial, restringir menções negativas a ele na internet. Os responsáveis pelos portais explicaram que a filtragem seria impossível, e a resposta à solicitação de decisão liminar foi negativa. O processo, até então ignorado, tomou dimensão nacional ao circular pela “Folha de S.Paulo”. Do caso, desprendem-se algumas perguntas: por que um homem público com 30 anos de carreira muito bem-sucedida, tendo sido eleito, reeleito e aprovado por seus conterrâneos, os mineiros, incomoda-se com o que dizem sobre ele na terra de ninguém da internet? Por que um político que quer se eleger presidente da República, com janela suficiente para almejar tal posto, parece indispor-se previamente a se submeter a ataques, boatos e injúrias que invariavelmente surgem na campanha? Trata-se de um caso de censura? Sim, já que o objetivo da ação é cercear o acesso do cidadão a determinadas informações, independentemente de serem elas verdadeiras. Ora, em nossos dias, talvez nada pareça mais anacrônico, velho e “neopassadista” do que tentar censurar, tentar restringir o conteúdo que se posta na rede. A atitude de Aécio, ou pelo menos de seus advogados, é o sintoma da escassez de alternativas políticas palpáveis na oposição e, por conseguinte, de opções de escolha para o cidadão. Milhões de jovens foram às ruas no ano passado – e voltarão – impulsionados por um clima de indisposição geral e irrestrita “a tudo isso que está aí”. “Vocês não nos representam”, diz o jargão das faixas mencionado ontem, aqui em O TEMPO, por Marcus Pestana, presidente do PSDB mineiro. Pois, deputado, como a oposição pretende entrar em sintonia com os jovens? São conselheiros de Aécio na área econômica, por exemplo, pais ou padrinhos do Plano Real, que completa 20 anos. Outros interlocutores para a formulação de seu programa de candidatura são ex-ministros do governo Fernando Henrique sobre os quais, depois da eleição de Lula, não se teve mais notícias. As referências de políticas públicas exitosas, o legado citado e reivindicado pelo pré-candidato são justamente da era FHC, que terminou há 12 anos. E em Minas, onde dizem que “a vitória terá início”, o senador fia a candidatura de um homem que disputou sua última eleição em 1998. Além de todas essas referências de história viva, evidentemente, a campanha tucana vai lembrar, relembrar e trelembrar o espírito público do avô Tancredo. Pelo que vê, pelo que fala, pelo que faz e pelas companhias, não têm mesmo cheiro de novo os lastros das pretensões de Aécio. 

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