Prefeitura quer criar camping como alternativa a hotéis caros

Projeto está em andamento e áreas estão sendo estudas, principalmente na Pampulha

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Opções. Região da Pampulha tem vários terrenos sem investimentos em curso que podem ser aproveitados no projeto dos campings
O TEMPO
Opções. Região da Pampulha tem vários terrenos sem investimentos em curso que podem ser aproveitados no projeto dos campings

Com preços da hospedagem nas alturas para a Copa, a Prefeitura de Belo Horizonte pretende criar áreas de camping de padrão internacional na capital. E não é para menos, já que o turista que virá a Belo Horizonte poderá encontrar anúncios de casas a US$ 15 mil (cerca de R$ 50 mil) por pessoa por um mês, o que daria uma diária de aproximadamente R$ 1.700. Os hotéis também são considerados caros, com diária de R$ 1.000 ou mais.

A informação do projeto já circula no mercado e fontes da prefeitura confirmam. O presidente da Associação Comunitária do Bairro Bandeirantes, que fica na região da Pampulha, Afrânio Alves de Andrade, conta que há essa proposta. “Estão comentando na minha rua. E ficamos apreensivos”, diz. O receio é fruto de vários motivos, entre eles, impactos no trânsito, segurança e limpeza. “Não sei se há preparo para isto. Ainda mais que será uma medida improvisada, de última hora. Se o que é feito no Brasil de forma planejada, já dá problema, imagina, o que é feito em cima da hora”, questiona.

O objetivo do executivo municipal é atender o turista, com destaque para os estrangeiros, que querem lugar barato para se hospedar, que dê, se possível, para ir e voltar a pé dos jogos ou ainda que conte com transporte facilitado, com acesso ao metrô.

Assim, bairros da região da Pampulha são os que têm mais chances de receber á área de camping. O mercado também especula locais nas proximidades do Minas Shopping, região Nordeste da capital. Um deles seria a área onde é feita a festa do Comida di Buteco. O empreendimento também pode ser viabilizado na antiga Casa do Conde.

A diretora da Clan Administradora de Hoteis, Rafaela Simone Fagundes Lopes Vale, diz que a hotelaria da capital não seria prejudicada com a viabilização do camping, já que os públicos são diferentes, mas não acha viável. “Acho difícil de acontecer. E me preocupa a segurança e qualidade”, diz.

O presidente do Sindicato de Hoteis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindihorb), Paulo Pedrosa, também não vê problemas no que se refere à concorrência. “Pode até ser que alguns hotéis na região onde tiver o camping percam alguns hóspedes, o que não será geral, já que os públicos são diferentes. Agora, o que acho que vai acontecer é a resistência de moradores das proximidades. Assim, é necessário discutir com eles os impactos”, frisa.

O dirigente questiona a infraestrutura necessária. “A área precisa ser protegida, ter estrutura, como vestiários e banheiros com água quente e limpeza. É preciso pensar onde será. Uma das áreas verdes que temos e que é próxima do Mineirão, é a da UFMG”, diz.

Desaprova

“Belo Horizonte não tem grandes áreas para camping. Além disso, não estamos habituados com este tipo de hospedagem. No Rio de Janeiro, durante a visita do Papa Francisco, foram viabilizados campings, que deixaram a desejar em termos de infraestrutura”

Rafaela Lopes Vale

diretora da Clan Administradora de Hoteis

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