Retrato da fruição das artes

A Fecomércio-RJ divulga estudo em que os livros aparecem como primeira opção cultural entre os brasileiros

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Crescimento. Levantamento aponta que aumentou o número de pessoas que vão ao teatro
FOTOS:GUSTAVO ANDRADE / O TEMPO
Crescimento. Levantamento aponta que aumentou o número de pessoas que vão ao teatro

João Gomes, superintendente de economia e pesquisas da Fecomércio-RJ, é otimista. Para ele, o resultado da última pesquisa realizada pela entidade, que revelou permanecerem os livros a principal opção cultural entre os brasileiros, aponta uma pista do aquecimento do setor e das possibilidades no presente. “Este é um ótimo indicador para investimentos. O estudo mostra o potencial desse campo para quem atua ou quer trabalhar no segmento do livro”, afirma João Gomes.

De acordo com o levantamento, realizado por meio de entrevistas em mil domicílios distribuídos em 70 cidades do país, 35% das pessoas relataram ser a leitura a principal atividade cultural que praticam. Em segundo lugar aparece o cinema, arrebatando 28% das preferências. Na sequência, figura em terceiro lugar os shows de música, seguido dos espetáculos de teatro (11%) e dança (7%). Gomes ressalta que em 2013, pela primeira vez, a porcentagem de entrevistados que vão ao teatro alcançou dois dígitos.

“Embora o lugar ocupado pelo livro é muito importante, o crescimento mais significativo neste momento é o relacionado aos espetáculos de teatro, embora ele esteja em quarto lugar. Em 2007, ano em que a pesquisa teve a sua primeira edição, o percentual era de apenas 6% para essa área. No ano passado, o número saltou para 11%. Ou seja, quase dobrou”, observa o economista. “Isso acontece no cenário em que o cinema também avançou. Se compararmos com os dados do mesmo ano de 2007, houve um aumento de cerca de 10%”, acrescenta.

Por outro lado, se 35% dos consultados com idade a partir de 16 anos disseram ser leitores de livros, na ponta oposta, estão os 65% restantes que não se interessam por esse tipo de conteúdo. Ainda segundo o estudo, desse montante, 55% relatam não ter o hábito da leitura e 31% não gostam de ler e optam por outro tipo de atividade cultural. “Essa última parcela representa um terço dos entrevistados. É um número relativamente baixo se considerarmos que a população brasileira ainda tem muito a se desenvolver no campo dos hábitos de leitura”, observa Gomes.

Apesar disso, Gomes considera que a maior popularidade dos livros face aos outros segmentos necessita de análises mais profundas, possíveis de averiguar não só a quantidade, mas outras características detalhadas dos tipos de leitura. “Seria interessante um estudo socioeconômico para entender qual livro vem impulsionando esse tipo de aumento ou a própria manutenção do status do livro em relação às outras áreas. Isso pode também ser avaliado tendo como foco algumas mudanças percebidas na sociedade, como o próprio volume de adolescentes e jovens nas escolas”, pontua Gomes.

Ao aferir que mais da metade dos brasileiros, 55%, não tem o hábito de leitura, a pesquisa da Fecomércio encontra pontos de contato com o estudo Retratos da Leitura no Brasil, apresentada pela Fundação Pró-Livro, em 2012. Promovida de quatro em quatro anos, com o intuito de avaliar o impacto das políticas públicas no estímulo à leitura, o estudo mais antigo trouxe a público um panorama de diminuição de 9,1% do volume de leitores no país em 2011, tendo em vista levantamento feito em 2007.

“Infelizmente, as duas pesquisas se aproximam muito e mostra que a situação não melhorou tanto assim. Os números da pesquisa da Fecomércio-RJ que apontam os não-leitores são inclusive maiores que os nossos, pois a nossa pesquisa inclui aqueles com idade a partir de cinco anos, então absorve muitas crianças”, sublinha Zoara Failla, gerente de projetos do Instituto Pró-Livro.

Ao mostrar que 52% das pessoas, da parcela de 49% que não usufruíram de nenhumas dessas atividades culturais, preferem ver TV, Failla nota mais uma interseção entre a pesquisa da Fecomércio-RJ com a Retratos da Leitura no Brasil. “A motivação dessas pessoas continua sendo muito parecida com aquelas ouvidas na nossa pesquisa. As pessoas com pouco acesso aos bens culturais continuam preferindo a televisão em detrimento do teatro e das exposições de arte”, diz a gerente, que faz uma ponderação: “Contudo, quando falamos desse assunto, temos que ter cuidado com essas comparações. A leitura pode ser mais acessível porque outras linguagens requerem outros tipos de aprendizado, como as artes plásticas”, conclui.

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