O popular e o erudito em debate

Seminário busca discutir fronteiras entre gêneros artísticos

iG Minas Gerais | gustavo rocha |


O crítico Frederico Morais é um dos convidados a falar no evento
Arquivo pessoal
O crítico Frederico Morais é um dos convidados a falar no evento

A distância entre a cultura popular e a erudita é demarcada, às vezes, de maneira exacerbada. Uma coisa não pode ser a outra e vice-versa. No entanto, visões mais contemporâneas levam artistas a cruzar tais fronteiras e a produzir expressões artísticas, mais e mais complexas. Com intuito de lançar luz sobre essa (e outras discussões), o Sesc Palladium promove hoje o segundo Seminário de Arte Popular e Contemporânea, Relações e Olhares Possíveis.

“Nosso objetivo é discutir se essa divisão é real, ou se ela é somente um enquadramento feito pelos teóricos”, ressalta Janaína Cristina da Silva, analista de arte e cultura do Sesc.

Segundo ela, o seminário se divide em três frentes que se dividem e dialogam. “Primeiro, homenageamos um artista da cultura popular e expomos o trabalho dele”, destaca. Para este ano, foi escolhida a bordadeira Adelícia Amorim. Além de 17 trabalhos da artista, outros cinco artistas contemporâneos, que apresentam características próximas à bordadeira, expõem seus trabalhos. A exposição está aberta até o dia 30 de março.

Depois, o seminário apresentará um documentário sobre a trajetória de Adelícia. E por fim, há o seminário em si, com participação de Frederico Morais, crítico, historiador e curador de arte; Ricardo Gomes Lima, antropólogo e pesquisador de cultura popular; Marta Dantas, historiadora, socióloga, pesquisadora e professora de artes visuais; Frei Chico, pesquisador de cultura popular; e Maria Angélica Melendi, pesquisadora e professor de artes visuais.

“A discussão passa pelo campo simbólico e plástico da exposição, do audiovisual com o documentário e também a memória de culturas populares, o que é passada oralmente. E, finalmente, o seminário fecha esse ciclo de ações por meio de uma perspectiva teórica”, analisa Janaína.

Por se tratar de um assunto complexo e quase “inesgotável”, a discussão entre as fronteiras de gêneros ganha outra rodada, nesse seminário. A analista do Sesc, no entanto, crê que haja um acúmulo da primeira para a segunda edição do evento. “Se no primeiro optamos por dar mais espaço aos artistas – e eles falaram livremente sobre seu trabalho – agora buscamos pensadores que vão dar um pouco de complexidade à discussão, pensando sob um viés social da arte. Temos o Frederico (Morais), por exemplo, que fala sobre essa legitimidade do artista. Quem legitima o artista popular? Quem o chama de artista e por que?”, indaga.

Agenda

O quê. Seminário de Arte Popular e Contemporânea, Relações e Olhares Possíveis

Quando. Hoje, das 9h às 21h

Onde. Grande Teatro Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046, centro)

Quanto. Entrada franca

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