Portinari por seu mecenas

Exposição “Portinari na Coleção Castro Maya”, que retrata amizade entre colecionador e artista, será aberta em BH

iG Minas Gerais | Vinícius Lacerda |

Espaços. Salão foi separado de forma a levar público a experimentar três núcleos da exposição
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Espaços. Salão foi separado de forma a levar público a experimentar três núcleos da exposição

Obras do artista Cândido Portinari (1903-1962) têm estado cada vez mais próximas do público belo-horizontino. Depois da exposição dos painéis “Guerra e Paz”, no ano passado, chega a Belo Horizonte a mostra “Portinari na Coleção Castro Maya”, em cartaz a partir de amanhã até o dia 4 de maio, no Museu Inimá de Paula. Abrangente, essa mostra traz 59 obras pertencentes à coleção do mecenas e colecionador Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) e refletem a relação de 20 anos de amizade entre eles. “Ambos lutavam pela afirmação da arte moderna no Brasil, isso os uniu profissionalmente e eles acabaram tornando-se amigos. Há correspondências e dedicatórias de quadros que confirmam isso”, diz a curadora da exposição e mestre em história da arte pela UCE-Birmingham, Anna Paola Baptista. Foi baseada no afeto entre os dois que Anna Paola se orientou para escolher os quadros entre a vasta coleção de Castro Maya, que totaliza 168 quadros de Portinari. “Para escolher as obras eu me expus diante de todo o conjunto e fiquei aberta às possibilidades que atiçavam minha curiosidade que, por consequência, geravam questões. Ao fazer isso, a pergunta que me ocorreu de imediato foi: ‘Qual a relação dessas obras com coleção em que se encontram?’”, relata a curadora. Para responder a essa indagação, Anna Paola entendeu que não poderia fazer um recorte baseado na cronologia ou em uma questão temática. Assim, ela optou por relacionar o processo de colecionismo e mecenato às obras. Dentro desse laço, a curadora identificou três facetas que se tornaram núcleos da exposição. “A primeira é a do Colecionador, que são as obras que ele (Castro Maya) escolheu para colocar em sua própria casa, que mostram seu gosto mais particular. Em segundo lugar, reparei que havia obras encomendadas que representavam o trabalho dele como encorajador das artes. Daí nasceu a categoria Mecenas. Por último, a sessão Amigo, que representa a amizade deles”, comenta. Toda a montagem da exposição é guiada por essas separações, com blocos de madeira que dividem o salão do Museu Inimá de Paula. A ideia é direcionar o visitante a experimentar esses três “espaços”. Multiplicidade. O resultado desse trabalho evidencia a versatilidade de Cândido Portinari. “Esta é uma seleção especial quando confrontada com o conjunto total de obras dele. Temos quadros que mostram os retirantes, os trabalhadores com os pés grandes que fazem referência ao seu papel de ‘pintor social’ e que o tornam reconhecidos. Mas há também um recorte de um Portinari mais suave, mais lírico”, comenta. Uma das obras que refletem esse lirismo do pintor modernista é a tela “Lavadeiras” (1943). “Essa foi a primeira tela que Castro Maya adquiriu direto no ateliê de Portinari e, apesar de ter a temática social narrada, traz uma forma mais fluida e etérea”, afirma Anna Paola. Estão presentes também obras como “Grupo de Meninas Brincando” (1940), evidenciando traços e iconografias que tornaram Portinari mundialmente reconhecido. “A terra preta, a referência à infância e o baú no quadro expõem a temática social que Portinari tanto explorou em suas obras”, observa a curadora. Com essa variedade, a exposição “Portinari na Coleção Castro Maya” está viajando, desde 2005. Já passou por Brasília, Salvador, Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, Porto Alegre e Vitória. “Devido a questões de logística e para conservação das telas, a exposição para de circular por um tempo”, explica ela. Feliz com a boa receptividade que a mostra tem tido, Anna Paola revela que na capital capixaba ela foi vista por 16 mil pessoas. “Um número expressivo para o tamanho da cidade”, salienta. Parte desse sucesso, para ela, se deve ao aspecto plural decorrente da “medula” da mostra. “As pessoas vêm para ver as obras de Portinari e acabam levando um pouco do conhecimento de Castro Maya. Costumo dizer que a exposição é uma promoção do tipo ‘compre um e leve dois”, brinca. Agenda O quê. Exposição “Portinari na Coleção Castro Maya” Quando. De amanhã até o dia 4 de maio Onde. Museu Inimá de Paula (rua da Bahia, 1.201, centro) Quanto. Entrada franca

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