Grevistas deixam cidade sem limpeza, sem saúde e educação

Garis e professores invadem a prefeitura, tomam ruas com passeatas e fazem barreira na BR-381 contra baixos salários

iG Minas Gerais | Flávia Jardim e José Augusto |

Trabalhadores da limpeza também protestaram e cruzaram os braços nessa segunda-feira (17)
Servidores/Divulgação
Trabalhadores da limpeza também protestaram e cruzaram os braços nessa segunda-feira (17)

Paralisações realizadas por três categorias de funcionários municipais, que reivindicam melhores salários e condições de trabalho, afetaram vários serviços essenciais em Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte. Garis, varredores de ruas e agentes que fazem a limpeza das creches cruzaram os braços em sinal de protesto. Assim como os profissionais da limpeza urbana do Rio de Janeiro, eles reivindicam, além de reajuste de 10% e de condições mais adequadas para o trabalho, o adicional de 40% por insalubridade.

A categoria é toda formada por trabalhadores contratados pela prefeitura através de empresas terceirizadas. De acordo com a diretora do Sindicato dos Empregados das Empresas de Asseio, Conservação e Limpeza Urbana da Região Metropolitana (SindAsseio), Simone Jaqueline, dos 240 trabalhadores do setor, 150 aderiram ao movimento.

“A nossa data-base foi em janeiro, mas, desde então, a prefeitura não fez nenhum acordo com as empresas. Por isso, estamos em greve. Além do adicional de insalubridade e do reajuste, também queremos que sejam pagos os salários atrasados dos profissionais das creches municipais, já que eles ainda não receberam a remuneração deste mês”, disse a sindicalista.

Em Betim, um gari em início de carreira tem hoje o piso de R$ 689, acrescido de 10% de adicional por insalubridade. No Rio de Janeiro, após as manifestações, esse adicional subiu para 40%.

Após invadirem o prédio da prefeitura, os trabalhadores da limpeza saíram em caminhada pelas ruas da região central da cidade. No hipercentro, houve congestionamento e transtorno para motoristas e pedestres. Já no fim da manhã, o problema foi agravado pela mobilização nacional dos educadores públicos.

Educação Professores e outros profissionais de escolas municipais e estaduais de Betim fizeram uma passeata no centro e depois seguiram para a Praça Milton Campos. Em assembléia, cerca de 150 educadores decidiram paralisar a BR-381, na altura do bairro Citrolândia, causando um congestionamento de mais de oito quilômetros nos dois sentidos da pista.

O protesto faz parte de uma paralisação nacional, que deve ser mantida até quarta-feira (19), com a possibilidade de ser estendida em Betim. Segundo a diretora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Denise Romano, os trabalhadores betinenses podem continuar em greve caso o governo não inicie as negociações da pauta de reivindicações. Segundo ela, 90% dos professores aderiram ao movimento, deixando 45 mil alunos sem aulas.

“Até agora, a prefeitura não sinalizou qualquer negociação. Protocolamos a nossa pauta no dia 10 de fevereiro, mas não tivemos respostas. Se a prefeitura não abrir as negociações, vamos radicalizar o movimento, inclusive com a possibilidade de começarmos uma greve por tempo indeterminado”, afirmou Denise.

Os educadores exigem um reajuste de 34%, o que inclui o aumento do piso nacional dos profissionais, que foi de 8,32%, mais a reposição das perdas inflacionárias dos últimos anos. A pauta traz ainda itens que foram acordados com o município na campanha salarial do ano passado.

A assessoria de imprensa da Prefeitura de Betim informou que as reivindicações serão estudadas por uma comissão formada por integrantes do governo municipal e dos funcionários insatisfeitos, porém, o início das negociações, segundo o município, só ocorrerá em abril, mês de vencimento da data-base.

Agentes em greve há 36 dias

Não é somente os garis e os educadores que protestaram em Betim. Os agentes de saúde e de combate a endemias completou nessa segunda (17) 36 dias de paralisação. A situação é preocupante porque está chegando o período de maior número de casos de dengue.

Segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Betim (Sindserb), Geraldo Teixeira, a principal reivindicação desses trabalhadores é o pagamento integral do piso de R$ 1.014, que hoje é repassado mensalmente pelo Ministério da Saúde (MS) para o custeio do programa. “Em Contagem, por exemplo, o salário pago é de R$ 1.202,40. Aqui, apesar de o prefeito ter assinado um acordo no ano passado garantindo o repasse integral, o valor foi mantido em R$ 724. Queremos que ele cumpra a sua palavra. Permaneceremos com os braços cruzados por tempo indeterminado”, garantiu.

Teixeira criticou a falta de diálogo e de ação do governo. “O fato de várias categorias estarem paradas ao mesmo tempo mostra a inércia da prefeitura para negociar com os trabalhadores”, criticou.

A assessoria de imprensa da prefeitura, através de nota, informou que foi solicitado aos agentes comunitários de saúde que formassem uma comissão para reunir com secretários municipais. Esse pedido foi feito por meio de ofício enviado ao Sindserb, no dia 24 de fevereiro. Os trabalhadores, através do sindicato, disseram que a comissão já existe, mas que “o município ainda não apresentou nenhuma proposta concreta”.

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