Aumentam casos de agressões motivadas por vingança em MG

Registros passaram de 5.758, em 2012, para 6.542, no ano passado; um aumento de 13,6%

iG Minas Gerais | Luiza Muzzi |

Ocorrência. Após ter cometido um furto, adolescente foi amarrado a um poste no bairro Santo Antônio
REPRODUção TWITTER - 26.2.2014
Ocorrência. Após ter cometido um furto, adolescente foi amarrado a um poste no bairro Santo Antônio

Cenas de assaltantes amarrados em postes e agredidos nas ruas têm se multiplicado por todo o país. Em Minas, a situação não é diferente. Apenas no ano passado, foram registrados 6.542 casos de agressões motivadas por qualquer tipo de vingança, 13,6% a mais que em 2012, quando foram 5.758. Também conhecido como “justiçamento”, o fenômeno rapidamente tomou conta das redes sociais, dividindo opiniões. De um lado, cidadãos saturados com a violência. Do outro, especialistas e governantes que alertam: não se combate um crime com mais violência.

Há três semanas, um menor suspeito de furto foi amarrado em um poste no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul da capital. Em Brasília, um homem morreu após ser golpeado por um ciclista, que tentava evitar o roubo de sua bicicleta. No Rio de Janeiro, um homem suspeito de roubo também foi morto a tiros por um motociclista. Dias antes, um adolescente foi espancado e preso a um poste com uma trava de bicicleta. No Piauí, outro rapaz que teria roubado foi amarrado e jogado em um formigueiro.

“Uma hora as pessoas cansam. Isso é um aviso às autoridades para não brincar com segurança pública”, afirma Angelo Castilho, 29, criador da comunidade “Reage Flamengo! Queremos nosso bairro de volta!”, que já conta com mais de 200 membros no Facebook. Em função da “omissão do Estado”, o grupo, do Rio de Janeiro, defende o que chama de “direito à legítima defesa”, incentivando a reação durante tentativas de assaltos.

Debate. Advogado criminalista e professor da Universidade Fumec, Guilherme Orlando Anchieta Melo acredita que, embora não seja recomendável, o fenômeno é, de certa forma, compreensível. “A justiça com as próprias mãos é ilegal, mas a gente entende. As pessoas têm esse tipo de conduta partindo do pressuposto que o Estado não nos ampara mais. Mas isso é um retrocesso ao princípio constitucional da dignidade humana”, alerta.

Enquete

Polêmica. Em Minas Gerais, o “justiçamento” ainda divide a opinião das pessoas. Apesar disso, enquete realizada pelo portal O TEMPO mostrou que a maioria dos leitores é favorável à prática.

Resultado. Na pesquisa, 79% dos internautas afirmaram que, havendo a possibilidade, fariam, sim, justiça com as próprias mãos, e apenas 21% disseram ser contrários ao “justiçamento”. Ao todo, 702 pessoas responderam a enquete feita pelo portal O TEMPO, entre a última sexta-feira e a noite de sábado.

Balanço

Insegurança. Apenas em Belo Horizonte, o número de roubos aumentou 27% em janeiro de 2014 em comparação com igual período de 2013, saltando de 2.157 para 2.750 casos.

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