Campos volta a atacar Dilma

Governador pernambucano diz que presidente distribui cargos como se fossem bananas ou laranjas

iG Minas Gerais |

Críticas. Eduardo Campos endurece o discurso contra Dilma, apesar do PSB ser aliado do governo do PT
Danielle Pessanha /ACSP - 10.03.
Críticas. Eduardo Campos endurece o discurso contra Dilma, apesar do PSB ser aliado do governo do PT

Recife. Uma semana depois de ter subido o tom das críticas a Dilma Rousseff, o presidenciável e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse, ontem, em viagem pelo interior do Estado, que o governo petista entrega cargos “como se estivesse distribuindo bananas ou laranjas”.

Em discurso durante ato político em Surubim (a 130 km do Recife), o também presidente do PSB afirmou que Dilma “não deu conta de melhorar o país”. “Não podemos deixar que o Brasil derreta na inflação, no populismo, na entrega dos cargos como se estivesse distribuindo bananas ou laranjas”, afirmou o governador.

Na semana passada, também durante viagem ao interior, Campos disse que o Brasil “não aguenta” mais quatro anos de governo Dilma e que a presidente “não sabe de nada”.

Em Surubim, antes de participar de ato para apresentar os candidatos da chapa governista em Pernambuco, Campos disse fazer críticas baseadas “em fatos concretos”.

“A presidenta Dilma recebeu o país das mãos do presidente Lula para melhorar o país e não deu conta de melhorar o país. E nós estamos correndo sério risco de poder desconstruir conquistas que foram feitas com muitas lutas”, afirmou o governador durante entrevista em que foi tratado por blogueiros e jornalistas do município como “futuro presidente”.

“Aqueles ou aquelas que tiveram a chance de fazer e não fizeram, me perdoem, a gente tem que ir para frente”, completou o governador, que foi ministro do ex-presidente Lula (Ciência e Tecnologia) no primeiro mandato do petista.

Já no palanque, Campos voltou a criticar a presidente para uma plateia de cerca de 400 pessoas, segundo a organização do evento, que se reuniu em um clube para acompanhar discursos inflamados dos pré-candidatos. Em sua fala, Campos citou desde o cantor e compositor Gilberto Gil, igualmente ex-ministro de Lula, até o cineasta norte-americano Woody Allen.

“Todos nós entregamos à sua excelência, a presidenta da República, a quem eu respeito muito como pessoa e como a presidenta do nosso país, a chance para que ela fizesse o Brasil seguir mudando e melhorando. O que aconteceu é que ela não soube fazer o que ela estava predestinada, encarregada de fazer.”

Desconhecido. Ainda para a plateia, o presidenciável disse esperar reverter o percentual de pessoas que não o conhecem no Brasil.

“Quem sabe fazer uma boa tabuada sabe fazer a conta. Hoje, só 30% do povo brasileiro nos conhece e o mínimo que aparece nas pesquisas é 12%. Faz a regra de três. Daqui pro dia 5 de outubro, 100% vão conhecer”, afirmou. “O povo brasileiro sabe que quer mudança. Não sabe ainda o nome e as ideias da mudança”, declarou o pernambucano.

“Vamos bater onde vocês sabem que nós vamos bater porque eu posso dizer que a estrada de onde viemos até aqui foi muito mais difícil do que a estrada daqui até onde nós vamos chegar”, completou.

Em 2006, no início da campanha pelo governo de Pernambuco, Campos tinha apenas 3% das intenções de voto e ganhou as eleições. Agora, de acordo com a última pesquisa Datafolha, ele tem 12%. Campos tem ao seu lado a ex-senadora Marina Silva e a estrutura da Rede Sustentabilidade.  

Fogo amigo

Energia. Campos criticou os gastos do governo federal para evitar reajustes nas contas de energia e nos preços da gasolina e do diesel.

Honestidade. O governador de Pernambuco disse que critica a presidente de forma mais honesta que integrantes do próprio partido de Dilma. “Muita gente do PT, inclusive nas disputas internas do PT, falam mais coisa da Dilma e de um jeito muito mais duro do que as críticas que eu faço”, afirmou. “A única questão é que eu digo isso publicamente, com respeito, e muitos ficam dizendo isso pelos cantos”, concluiu.

Esforço

PSB. O partido se esforça para ter candidatura própria nos principais Estados do país, inclusive em Minas Gerais, para que Eduardo Campos tenha palanques apropriados na campanha.

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