Sonoridade sofisticada e singela em ‘Vermelho’ Banda mineira lança seu primeiro álbum, disponível para download gratuito Radiolaria

iG Minas Gerais | fabiano fonseca |

Referências. Quarteto passeia por diversos gêneros musicais, com composições autorais que exploram o cotidiano, em tom reflexivo
felipe castilho
Referências. Quarteto passeia por diversos gêneros musicais, com composições autorais que exploram o cotidiano, em tom reflexivo

Cumplicidade, simplicidade e sofisticação. A tríade bem pode definir os conceitos musicais, a sonoridade e, por que não dizer, a própria banda Radiolaria e seu primeiro rebento, “Vermelho”. Formado por Felipe Bastos, Felipe Xavier, Wagner Costa e Luiz Eduardo Lobo, o quarteto – que começou como um trio, com o músico Tito Campos em formação com os “Felipes” – apresenta um álbum com 12 composições, todas autorais, que promovem uma miscelânia de gêneros, sonoridades, tudo em harmonia, ao mesmo tempo singela e sofisticada, com composições que refletem o cotidiano de seus integrantes. “Eu, Felipe (Xavier) e o Tito tocamos juntos há muito tempo. Com uns 15 anos já formamos a banda, e foi surgindo uma vontade natural de compor, de fazer um trabalho de forma autoral. Em 2008, a gente tinha uma coisa incipiente, que fomos colocando em ensaios. Com base nessa vontade de criar nosso material, começamos a compor em conjunto. E em 2011, decidimos que tínhamos material suficiente pra gravar um disco”, conta Felipe Bastos.

O “processo de amadurecimento natural”, como define Bastos, permitiu ao trio – o disco foi todo gravado com essa formação – tempo e segurança suficientes para trabalhar nas composições, nas quais todos foram cúmplices um do outro, e nos arranjos e sonoridades que passeiam pelo folk, rock, pop e até mesmo pelo tango. O resultado são canções sofisticadas, experimentais, mas ao mesmo tempo carregadas de simplicidade, de “mineiridade”.

E o cotidiano singelo dá logo as caras na primeira faixa de “Vermelho”, intitulada “Pedaço de Papel”, no qual um telefone anotado num papel e encontrado em uma gaveta serviu de inspiração para o grupo trazer à tona um folk com tons modernos e, essencialmente, brasileiro. A diversidade – e a experimentação – seguem permeando o trabalho, passando pelo pop rock, com tonalidades setentistas, como nas faixas “Pra Outro Lugar” e “2009”, esta última a la Beatles. “A gente tem uma ideia de duas músicas que de certa forma sintetiza o nosso trabalho, ‘Pedaço de Papel’ e ‘Devaneio’. Elas retratam melhor a estética do disco e todas as influências”, revela Felipe Bastos.

E se diversificação é quase uma palavra de ordem de “Vermelho”, “Tango” não deixa qualquer dúvida sobre as inúmeras referências do grupo. O próprio nome já diz. “Sempre fui fã de Astor Piazzola, de Carlos Gardel, são grandes referências na minha formação. E também gosto muito do Buena Vista Social Club. E a música veio inteira, sempre soube o que queria. Então, trouxemos essa coisa caribenha, latina”, explica Bastos.

Bem verdade que, mesmo carregado de diversas referências sonoras, passeando por gêneros, faixa a faixa “Vermelho” segue “tranquilinho”, sofisticado e em singela harmonia instrumental e vocal. Até se despedir com “Lá Fora Faz Sol”. “A gente tinha fechado o disco com 11 faixas. E eu estava meio incomodado com a falta de um rock mais visceral. Comentei com os caras que o rock era a nossa escola, formamos uma banda para tocar rock e estava faltando no trabalho”, conta Bastos, sobre a faixa que traz inúmeras referências clássicas do gênero.

Disponível para download gratuito, “Vermelho” também pode ser adquirido por encomenda, a R$ 20, no site da banda (www.radiolaria.com.br).

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