Transferência em discussão

Inspirada em projeto de Leonardo da Vinci, estátua pode ser removida para um local com maior visibilidade em Milão

iG Minas Gerais | Elisabetta Povoledo |

Presente. Cavalo de bronze foi doado aos italianos para homenagear da Vinci e o Renascimento
ALESSANDRO GRASSANI
Presente. Cavalo de bronze foi doado aos italianos para homenagear da Vinci e o Renascimento

Milão, Itália. Milhares de anos depois que os cidadãos de Troia descobriram as complicações em se ter esculturas equinas descomunais, os residentes atuais de Milão se viram novamente enredados em um debate sobre como tirar o máximo de proveito de um cavalo presenteado: um corcel colossal de bronze doado por um grupo de norte-americanos.

Inspirados pela estátua incompleta projetada por Leonardo da Vinci (o molde de argila foi destruído em 1499), com 7,3 metros de altura, o garanhão de 15 toneladas chegou a Milão em 1999, fruto de uma fundição de Beacon, em Nova York, e foi colocada em uma praça no hipódromo da cidade, no bairro de San Siro.

Para seus admiradores, colocar a escultura em um local onde recebe poucos visitantes além dos apostadores, cujo interesse em cavalos estáticos é compreensivelmente limitado, seria o equivalente a jogá-la em qualquer canto.

Agora, com a abertura da Exposição Mundial em Milão, que acontecerá em menos de 15 meses, aumentaram os pedidos para que o cavalo fosse movido para um lugar mais visível, e até mesmo torná-lo um símbolo da cidade durante a feira, que as autoridades esperam que atraia milhões de visitantes à capital da Lombardia.

O cavalo de bronze “seria um marco”, um monumento cultural similar à Estátua da Liberdade, disse Carlo Orlandini, presidente do Comitê pelo Grande Cavalo, grupo de voluntários que há anos defende a transferência do corcel a um local mais apropriado. “Nós precisamos convencer as pessoas de que a solução atual não é apropriada e não corresponde ao espírito com que o presente foi dado”, acrescentou Orlandini, cujo grupo estimula o debate público sobre a estátua, noticiado nas últimas semanas pelo jornal “Corriere della Sera”.

Concebida há quase quatro décadas por Charles C. Dent, um piloto de avião aposentado de Allentown, na Pensilvânia, em substituição ao original de Leonardo, a intenção da estátua de bronze era ser um presente do povo norte-americano aos italianos “para homenagear Leonardo da Vinci e o Renascimento italiano”, conforme explica uma placa no pedestal.

Antes de morrer em 1994, Dent envolveu dezenas de doadores para arrecadar mais de US$ 6,5 milhões para fundir o cavalo. Em 1999, o cavalo foi despachado para Milão e inaugurado com muita pompa no hipódromo de San Siro, longe do centro da cidade. Ali, no entender de Orlandini, ele acabou sendo “abandonado”.

Um parque cultural e educativo que a prefeitura prometera construir no hipódromo como parte do acordo de doação nunca se materializou, “o que foi uma decepção”, disse Peter C. Dent, sobrinho de Charles Dent, que participou da diretoria de várias instituições “que cuidam dos interesses do cavalo”.

Ao longo dos anos, as tentativas de mudar o cavalo encontraram uma série de obstáculos, incluindo um ruidoso comitê de moradores de San Siro interessados na permanência da estátua. A prefeitura tem feito corpo mole porque achar um local alternativo se revelou um enigma municipal.

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