Síndrome do Impostor afeta profissionais bem-sucedidos

Valerie Young Escritora norte-americana autora do livro “Os Pensamentos Secretos das Mulheres de Sucesso”

iG Minas Gerais | Litza Mattos |

Valerie Young - Escritora norte-americana autora do livro “Os Pensamentos Secretos das Mulheres de Sucesso”
Valerie Young / Divulgacao - 14.
Valerie Young - Escritora norte-americana autora do livro “Os Pensamentos Secretos das Mulheres de Sucesso”

Caracterizada pela sensação de incompetência e a busca de fatores externos para justificar o sucesso, a Síndrome do Impostor atinge sete em cada dez profissionais bem-sucedidos. Após anos de pesquisas, a especialista mostra como banir esses pensamentos.

O que é a Síndrome do Impostor? Para os bem-sucedidos, as evidências do sucesso estão em toda parte – cargos, empregos, prêmios, promoções. Mas quando você se sente como um impostor ou uma fraude, nada disso importa porque você simplesmente as ignora. Você poderia ser o melhor aluno da turma e ainda pensaria sobre si mesmo: “É só porque os professores gostam de mim” ou “eu tenho sorte”. Isso representa um grande problema. É preciso ter convicção sobre as suas realizações em um nível visceral, para que quando seja confrontado com as evidências reais de suas habilidades, fique emocionalmente claro como você chegou lá.

Como ela surge? É mais comum em alguma fase da vida? Surge de formas diferentes em pessoas diferentes. Alguns podem sentir isso na faculdade, outros quando alcançam um grau avançado na profissão ou quando são promovidos. Mas acontece, principalmente, quando estamos em uma posição para ter o nosso desempenho julgado – entrevista de emprego, iniciar um novo trabalho ou obter uma promoção, fazendo um discurso, no crescimento de um negócio ou fazendo um teste etc.

Existe um perfil de pessoas com mais chances de desenvolver a síndrome? Não. Eu conheci CEOs, um advogado, professores, cientistas, artistas, estudantes, enfermeiros, e muitas outras ocupações. Porém, as pessoas em campos criativos, inteligentes e talentosas (escritores, atores etc) têm se mostrado mais suscetíveis a se sentirem como impostores.

Por quê? Eles (profissionais ligados à criatividade) estão em um campo em que são julgados por padrões subjetivos e por pessoas cujo cargo é crítico profissional. Profissionais de primeira geração são outro grupo “de risco”. Afinal, um sentimento de pertencimento promove confiança. Portanto, faz sentido a descoberta de um estudo britânico que percebeu que alunos que estudaram em escolas particulares antes da faculdade têm menos chance de desenvolver o sentimento de impostor. Se, por outro lado, você chega à faculdade a partir de classes mais baixas, você pode se sentir como uma fraude. Pode haver um sentido subjacente de que: “Eu realmente não pertenço a aqui. Eu realmente não mereço isso”.

Por que é mais frequente em mulheres? Por uma série de razões. Se você é uma mulher que trabalha em um ambiente corporativo, já deve saber que está operando em uma cultura estranha. É por isso que encontramos dezenas de livros que procuram educar as mulheres sobre como lidar com as regras (não escritas) da política organizacional, mas nenhum especificamente destinado a ensinar aos homens. Muitas vezes as mulheres acreditam erroneamente que elas precisam saber 150% a mais. Para as mulheres (ou alguém) em um campo em que estão em minoria, há a pressão adicional de se sentir como que se precisassem representar todo o seu grupo – e, portanto, têm menos espaço para as imperfeições ou de admitir não saber alguma coisa.

A síndrome está ligada a capacidade de aceitar os erros? Há também pesquisas que dizem que as mulheres são mais propensas a internalizar falhas, erros e críticas, enquanto os homens são mais aptos a exteriorizar e encontrar razões fora de si para o problema (por exemplo, o chefe é um idiota, o professor não nos deu tempo suficiente para estudar).

É possível combater esses pensamentos? Sim, há muitas soluções. A primeira é normalizar esses momentos de impostor e reconhecer que novos desafios sempre vão criar uma certa quantidade de tensão interna, mas isso não significa que você não está à altura da tarefa. Outra atitude é de reformular o fracasso. Ninguém gosta de falhar, mas o que diferencia as pessoas que se sentem como fraudes daquelas que não se sentem assim, é que as pessoas com síndrome de impostor sentem vergonha quando falham. No entanto, o fracasso significa coisas diferentes dependendo de como você define competência. Outra dica é: siga em frente independente de ser a única mulher no escritório ou de ser a primeira geração da sua família a alcançar o sucesso. Basta continuar se esforçando. Enfrente grandes desafios e em vez de pensar que você não vai conseguir, pense: “Eu realmente vou aprender com isso”. Alguém me disse em um recente seminário: E se você não acreditar nesse novo pensamento? Minha resposta foi: Eu posso garantir que você não vai acreditar! Você apenas tem que continuar dizendo o mais positivo e afirmando esse pensamento até que mais cedo ou mais tarde você realmente possa acreditar!

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