Energia já é preocupação concreta para antes da Copa

Quanto mais tarde se decretar racionamento, pior ele será

iG Minas Gerais |

Fábricas de alimentos e bebidas vão acelerar no “pré-Copa”
TASSO MARCELO/AGêNCIA ESTADO – 18.10.2011
Fábricas de alimentos e bebidas vão acelerar no “pré-Copa”

RIO de janeiro. Com o baixo nível dos reservatórios e a previsão de poucas chuvas para o período de seca que se estende até setembro, especialistas já começam a se preocupar com os meses que antecedem a Copa do Mundo e com aqueles que a sucedem. Por enquanto, não há preocupação quanto ao abastecimento de energia durante o Mundial. Mas há o temor de um “estresse pré-Copa”, com um maior consumo de energia pela indústria, que deve antecipar a produção de alimentos, bebidas e outros bens não duráveis para compensar os dias parados com os feriados no período dos jogos.

Se a realização dos jogos da Copa está garantida – graças ao esquema montado pelo governo com a Fifa, que inclui, entre outros equipamentos, a instalação de geradores nos estádios –, fontes do setor elétrico demonstram preocupação com o “dia seguinte” ao Mundial, caso o governo abuse do nível dos reservatórios antes e durante o evento. Segundo consultorias, se for inevitável, quanto mais tarde um racionamento for decretado, mais severo ele seria para o país.

Os jogos são a receita para um maior consumo de água, cerveja e petiscos. Por isso, o setor de alimentos e bebidas deve antecipar a produção. E há um temor com possíveis protestos.

“As indústrias já negociam com o atacado para que as mercadorias estejam nos depósitos até maio”, disse o presidente da Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores de Produtos Industrializados (Abad), José do Egito Frota Lopes Filho.

É essa conjunção de fatores que preocupa Mikio Kawai, diretor da Safira Energia. “Durante a Copa, o consumo de energia deve cair, devido aos feriados. Há o risco de um estresse pré-Copa, justamente porque não chove, e as indústrias devem consumir mais, para alavancar a produção”.

“É a pior seca que já vi”,  diz chefe da meteorologia  SÃO PAULO. A previsão do tempo para os próximos meses continua pouco animadora. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura, reafirma sua previsão de ausência de chuva no Sul de Minas Gerais e de São Paulo, onde estão os principais reservatórios das hidrelétricas, daqui em diante.

Expedito Rebello, chefe da meteorologia do Inmet que trabalha no órgão há 32 anos, diz que a situação de médio e longo prazo é bastante preocupante. “É a pior seca que já vi”, conta, rebatendo a questão sobre se há risco de haver racionamento. “Essa resposta é com o governo”.

Até setembro, que é quando tradicionalmente acaba a seca, quase não vai chover. “E, para ajudar, há a evaporação, que se encarrega de reduzir o nível dos reservatórios”, explica.

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