‘Megamansões’ se verticalizam

Em Belo Horizonte, empreendimentos imobiliários chegam a ter quatro suítes e seis banheiros

iG Minas Gerais | Pedro Grossi |

Planta divide área comum em um andar e área íntima em outro
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Planta divide área comum em um andar e área íntima em outro

De 2000 a 2010, conforme o último censo do IBGE, o número de pessoas em Belo Horizonte que moram em apartamentos passou de 503 mil para 738 mil – crescimento de 46,7%. Segundo especialistas, entre as causas para essa migração, que só tende a crescer, está a busca por segurança, praticidade e redução de custos. Ao longo desse período, o mercado imobiliário também precisou adequar-se às mudanças no perfil do consumidor, que vai desde jovens solteiros a casais idosos, que decidem trocar o conforto de casas amplas pela praticidade dos grandes apartamentos.

“Esse é realmente um perfil novo de consumidores”, diz o presidente da célula Belo Horizonte da Rede Netimóveis, José di Filippo. Segundo ele, é um perfil cada vez mais comum: casais de idosos que estão saindo de casarões e procurando “apartamentões”. “Querem manter o conforto e espaço que tinham nas casas, mas sem ficarem tão isolados e evitando gastos com manutenção e empregados”, completa ele.

Para esse tipo de público, o mercado oferece apartamentos duplex, coberturas ‘top house’ – que constroem casas no topo dos prédios – ou grandes apartamentos, que são verdadeiras mansões suspensas, com preços entre R$ 1,7 milhão a R$ 14 milhões.

Além de serem amplos e silenciosos, esses apartamentos precisam ter espaço para uma grande família. “O perfil dos compradores realmente é esse: ou são recém-casados já com um ou dois filhos, mas que têm perspectivas de formar uma família grande, ou casais mais velhos, que já moram sozinhos, mas recebem com frequência os filhos e os netos”, explica o gerente de comunicação da Conartes Engenharia, Thiago Xavier Gonçalves.

Thiago responde pelo maior empreendimento a ser lançado na cidade nos próximos anos com esse perfil. São apartamentos de 503 m², com quatro suítes e seis banheiros. Só a sala de estar integrada à varanda tem 150 m². Dos 33 apartamentos, apenas três ainda estão à venda, com preços a partir de R$ 5,7 milhões. A cobertura, já comercializada, teria hoje valor de mercado de R$ 14 milhões. “Não existem mais lançamentos de casas, e para alguns casais não faz sentido continuar morando em casas enormes e pouco funcionais”, afirma Xavier.

“É um mercado importante e discreto. São poucos apartamentos por empreendimento. Eles vendem rápido, sem divulgação. É um público que não gosta de aparecer”, admite o diretor da Somatos, Aurélio Rezende. Ele entrega, no final do ano, um prédio em Lourdes com dez apartamentos duplex, de 127 m². Todos vendidos a R$ 1,7 milhão.

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