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Espírito adolescente. “Aliança”, ambientado em Belo Horizonte, mostra um dia na vida de três amigos em conflito com a vida adulta
Filmes de plástico/ divulgação
Espírito adolescente. “Aliança”, ambientado em Belo Horizonte, mostra um dia na vida de três amigos em conflito com a vida adulta

No mesmo ano em que campeões de bilheteria chancelados pela Globofilmes tiveram feitos extraordinários, uma comédia bastante original desbancou “Matrix” e “Tropa de Elite 2”, maiores arrecadadores de ingressos até então no Ceará: “Cine Holliúdy”, de Halder Gomes. “É um tipo de filme como ‘O Som ao Redor’, que acontece de maneira única, abrindo caminhos”, considera o crítico Marcelo Miranda.

Com a estratégia de circular em festivais para depois fazer barulho no Nordeste antes do eixo Rio-São Paulo, como normalmente acontece, o longa agradou com a mistura bem-dosada de metalinguagem, regionalismo e um humor peculiar.

Na mesma toada, filmes que tratam realidades específicas e que podem soar amplos tentam seu lugar ao sol. É o caso de “Aliança”, da Filmes de Plástico, rodado em Belo Horizonte com a ajuda dos amigos.

“O caminho do filme, depois da Mostra de Tiradentes, ainda é uma incógnita. Estamos tentando compreender os tipos de trajetórias possíveis. A gente não tem apoio, não há rebuscamento estético para determinados circuito. É curioso pensá-lo em outros festivais de cinema onde não há tanta atenção para a comédia. O ‘Aliança’ acaba sendo um corpo estranho em muitas competitivas. Mas o longa tem potencial comercial, além dos desafios”, considera o produtor Thiago Macêdo Correia.

Vivendo atualmente no Canadá, o diretor pernambucano Chico Lacerda assina produções como o curta-metragem “Estudo em Vermelho”, que vem cumprindo a rota dos festivais e deixando uma marca de humor inventiva no formato.

Entre os diversos elementos, o filme pensado na lógica coletiva da produtora Surto & Deslumbramento, reencena o clipe “Wuthering Heights”, de Kate Bush. “Assim, a ideia era abordar o que a gente considerava relevante politicamente, mas de forma mais leve, bem-humorada, rindo também das nossas próprias limitações e contradições. É daí que vem a ideia de avacalhar, usando o nonsense daquele passeio no teto solar do carro, que marca também uma fuga da cidade do Recife, de seus prédios e dos problemas que haviam sido abordados à exaustão pelo cinema de lá”, diz.

Chico acredita que mais do que um potencial, é necessária uma visão ampla de mercado. “Talvez falte alguém para empurrar comédias mais locais para um canal de distribuição que chegue nas pessoas, né?”. É.

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