Polêmica ganha novo capítulo

Fabricante de blu-ray, a AMZ diz não ter sido procurada pelas distribuidoras de “Ninfomaníaca” e “Azul É a Cor...”

iG Minas Gerais |

Sexo. Cena de “Ninfomaníaca”, de Lars von Trier, cuja segunda parte acabou de estrear no cinemas
imovision/divulgação
Sexo. Cena de “Ninfomaníaca”, de Lars von Trier, cuja segunda parte acabou de estrear no cinemas

A polêmica envolvendo “Azul É a Cor Mais Quente” e “Ninfomaníaca” ganhou novo capítulo no Brasil. Suas distribuidoras anunciaram dificuldades para lançá-los em blu-ray, atribuindo isso às cenas de sexo explícito. Segundo divulgaram a Imovision, distribuidora de “Azul”, e a California Filmes, de “Ninfomaníaca”, as únicas três fabricantes de blu-ray no país se negaram a produzir cópias das duas obras.

“Temos uma péssima notícia para os fãs do filme”, postou no Facebook de divulgação do “Azul” a distribuidora Imovision, em fevereiro. “As empresas brasileiras produtoras de blu-ray se negam a produzir o filme devido ao seu ‘conteúdo’”. “Me parece uma censura”, diz Jean Thomas Bernardini, dono da Imovision. “O filme de arte, ao contrário do blockbuster, quer ser o mais real possível: se tem que mostrar cena de sexo, vai mostrar”.

As três fabricantes de alu-ray no país são a Rimo Entertainment (antiga Sonopress), AMZ (também conhecida como Videolar) e Sony DADC. Contudo, a AMZ disse que não foi procurada pelas distribuidoras. Seu presidente, Lirio Parisotto, diz que fabricaria os produtos. “Se entrou no circuito de cinema, por que não deveríamos gravar?”

Para Parisotto, as distribuidoras estão usando a suposta censura como forma de divulgação dos lançamentos. “Quanto custaria um comercial desses? Isso ganhou repercussão gratuita”. “Se a Videolar acusa a gente disso, me reservo o direito de entrar na Justiça contra eles”, rebateu Bernardini. “Duvido que a Videolar faria (cópia em Blu-ray de ‘Azul’). Se jogada de marketing houve, foi da parte deles”.

Bernardini diz que irá procurar a empresa para fazer o filme no formato. Ele confirma que não a procurou antes. Segundo disse, a Rimo o informou, por e-mail, que todos os laboratórios de blu-ray no Brasil têm política de restrição a filmes com sexo. A Rimo, primeira a recusar a replicação dos filmes, diz que contratos com clientes a impedem de fazer cópias de obras com sexo explícito. A empresa, contudo, já fabricou em blu-ray o filme “Anticristo” (2009), de Lars von Trier, com sexo explícito. “Não sei como foi na época, se esses contratos já valiam”, diz Fábio Vianna, presidente da fabricante desde novembro passado.

A reportagem tentou, por dois dias, contatar a Sony DADC, mas não teve resposta. O cancelamento do blu-ray de “Ninfomaníaca – Volume 1” foi anunciado pela California na véspera da chegada da segunda parte aos cinemas. “Não é jogada de marketing”, diz o diretor, Euzébio Munhoz Jr. Ele não soube dizer se a empresa contatou a AMZ para pedir “Ninfomaníaca” em blu-ray. “Vamos procurá-los”, diz. “Ninfomaníaca”, dirigido por Lars von Trier, conta a história de uma mulher viciada em sexo. Por opção do cineasta, o filme chegou à telona em versão “mais leve” e dividido. “Azul”, de Abdellatif Kechiche, narra a história de amor entre duas mulheres.

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