Dessa para uma melhor

Personagem do ator na atual trama das sete vai morrer em breve, para ele se dedicar a “Falso Brilhante”

iG Minas Gerais | márcio maio |

Já deu. Alexandre Nero acredita que Hermes, seu papel em “Além do Horizonte”, não tinha mais para onde ir na trama
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Já deu. Alexandre Nero acredita que Hermes, seu papel em “Além do Horizonte”, não tinha mais para onde ir na trama

Falsa modéstia não combina com Alexandre Nero. O curitibano de 44 anos sabia que, cedo ou tarde, chegaria o momento em que ganharia seu primeiro protagonista em novelas. Mas o intérprete do ambicioso Hermes de “Além do Horizonte” jura que, ao ler que era a primeira opção de Aguinaldo Silva para o papel principal de “Falso Brilhante”, título provisório da próxima novela das 21h da Globo, com estreia prevista para julho, pensou ser mero boato. Principalmente por não se enxergar no padrão que considera ser o de um galã da faixa nobre. Mas foi só receber o convite oficial para o posto que ofereceu até trabalhar sem férias, se fosse necessário. E foi. Com o encerramento de “Em Família” após a Copa do Mundo, no dia 13 de julho, o ator teve de experimentar gravar um folhetim já se preparando para o seguinte. “Fiquei sabendo há poucos dias, cerca de um mês. E, desde então, passei a pensar nesse trabalho. Pedi um pouco mais de tempo para me dedicar porque, com essa nova data, tudo tem de ser apressado. Por isso, Hermes precisa morrer em ‘Além do Horizonte’”, explica Nero, que sai do ar na próxima semana. “Achei chiquérrimo morrer em uma novela para fazer outra”, confessa. Para se dedicar a “Falso Brilhante”, você está deixando “Além do Horizonte”. Como sua saída foi recebida pela equipe? O carro-chefe da emissora é a novela das 21h. É o que domina a grade, é o principal produto mesmo. Então, é natural que mexam alguns pauzinhos para que ela aconteça. Quando começaram as conversas, estava tudo certo porque as datas batiam. Eu só precisava aceitar emendar uma na outra e já tinha me deixado disponível para isso. “Além do Horizonte” ia acabar próximo do período de início das gravações da novela de Aguinaldo, mas ela foi adiantada. Como meu personagem é o protagonista e um pai de família, multimilionário e mais velho que eu, ou seja, muito distante da minha realidade, pedi um tempinho para me concentrar. Preciso de leituras, conversas e uma preparação mais intensa do que em outras novelas. O Papinha (Rogério Gomes, diretor) pediu a todos que tinham de autorizar e conseguimos isso. Acho que deu tudo certo, mas não foi uma conversa minha. Desde quando você sabe da novela de Aguinaldo? Deve ter mais ou menos um mês. Sendo que tudo começou como um boato e eu achava que era mentira. Não que fosse impossível. Sabia que poderia pintar um protagonista para mim. Mas, como fujo do padrão de galã, era mais fácil ver como boato mesmo. Não sou conhecido e protagonista normalmente é quem já fez sucesso e protagonizou outro horário. Além disso, não sou o bonitão. Esta é a primeira vez que você sai de um trabalho para entrar em outro. Como está sendo essa transição, lendo textos de duas novelas diferentes? É a primeira vez que eu morro para sair e achei chiquérrimo! Imagina, ter de morrer para entrar em outra novela? Estou estudando desde o dia em que fiquei sabendo oficialmente que ia fazer e o Papinha me mandou o briefing do personagem e da novela. Não tinha nenhum capítulo escrito, agora já tenho quatro. Ali, a minha cabeça começou a trabalhar. O Hermes, de “Além do Horizonte”, não tem mais para onde ir. Já estava a caminho do fim. A proposta de “Além do Horizonte” era explorar uma trama de aventura e suspense, mas não funcionou. Como você encarou isso? Tentaram mudar um paradigma e acho isso louvável. Comprei a ideia porque achei muito boa. E ela é mesmo. Mas, na hora de fazer, as pessoas não entenderam. Nem mesmo nós estávamos entendendo. Havia uma complexidade que não conseguimos alcançar. Mas tudo bem, dá-se o braço a torcer e volta-se à fórmula do humor das 19h. Falam que falta novidade, mas acho que as pessoas não querem novidade nenhuma. Quando uma coisa muda, as pessoas não entendem e você precisa logo voltar para o que elas compreendem. Cobram autenticidade do artista, mas, se você se mostra autêntico, metem o pau em você.

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