Humor à prova

Danilo Gentili ainda peca como entrevistador, mas exibe frescor e criatividade no “The Noite”, do SBT

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Caminho. Danilo Gentili ainda tem que percorrer um longo caminho como entrevistador
Pedro Paulo Figueiredo/CZN
Caminho. Danilo Gentili ainda tem que percorrer um longo caminho como entrevistador

A base do humor de Danilo Gentili é a ironia. É dessa forma que ele trata assuntos pesados, como racismo ou preconceito contra minorias, sempre de forma natural e sem meias palavras. De voz fina – e por vezes irritante –, arrumadinho demais, jurando ser apolítico e defensor do humor politicamente incorreto, Gentili foi fazendo seu nome na Band.

Primeiro, como repórter do “CQC”, para logo em seguida ganhar destaque ao apresentar o “Agora É Tarde”, onde, assumidamente, copiou talk shows norte-americanos como os de Jon Stewart, Jimmy Fallon, Conan O’Brien e, sobretudo, David Letterman. A mistura se revelou promissora e garantiu o segundo lugar na audiência. Ao trocar a Band pelo SBT, Gentili poderia muito bem fazer mais do mesmo e carregar o público do seu programa para a nova emissora. No entanto, ainda que trabalhando ao lado da mesma equipe de produção e sem grandes novidades no elenco, o apresentador mostra potencial e frescor no “The Noite”, talk show que estreou na última semana na emissora de Silvio Santos.

Gentili sabe que, como entrevistador, ainda está no meio do caminho. Por vezes, parece mesmo acreditar que é mais interessante que seus entrevistados. No entanto, na contramão de conversas recheadas de piadas e sem muita informação, salta aos olhos a capacidade de improvisação e flerte com outras linguagens televisivas. Os entrevistados, inclusive, entram na brincadeira e participam dos esquetes propostos pelo programa, onde o resultado é de bom gosto e se assemelha ao formato de outro clássico da TV norte-americana: o “Saturday Night Live”.

Só pelas hilárias introduções diárias, “The Noite” já vale ser conferido. É nesse momento inicial que, sem medo de se expor e não se levando nada a sério, Gentili e sua trupe – formada pelos humoristas Murilo Couto e Léo Lins, a assistente de palco Juliana Oliveira, o narrador Diguinho Coruja e a banda Ultraje a Rigor – se divertem e entretêm ao brincar com suas próprias fraquezas e limitações. Sobra até para o SBT e seus apresentadores, vítimas do humor do grupo por conta do conteúdo por vezes cafona da emissora. Com maior capital de produção e doses extras de autoralidade, Gentili se aproveita do dinheiro investido pelo SBT em seu programa. O cenário é rico e cheio de surpresas e os esquetes cômicos demonstram o maior poder aquisitivo da emissora. Falta consistência no papo, mas sobra boa produção e criatividade. Entre perdas e ganhos, Danilo acerta o tom de seu humor e mostra que o dono do baú ainda tem faro para apostas.

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