Início de aprovação e desafios

Primeira semana teve desinformação, defeitos técnicos e congestionamentos em pistas mistas

iG Minas Gerais | Joana Suarez e Luciene Câmara |

Com boa aceitação, ônibus do Move estão cada vez mais cheios
LEO FONTES / O TEMPO
Com boa aceitação, ônibus do Move estão cada vez mais cheios

O Move (nome dado ao BRT da capital) completa hoje uma semana de funcionamento bem avaliado pelos usuários, mas ainda com problemas. Nesta sexta-feira, mais um ônibus apresentou defeito e ficou parado por dez minutos no corredor da avenida Cristiano Machado, no fim da tarde. Fora da faixa exclusiva, outro obstáculo: o congestionamento nas pistas mistas, que afetam todas as linhas do novo sistema, principalmente a 82, da Estação São Gabriel para a região hospitalar e a Savassi.

Nesses primeiros dias de funcionamento, vários ajustes precisaram ser feitos devido a falhas operacionais. A reportagem estava dentro do ônibus da linha 83D (São Gabriel/centro, sem paradas), que apresentou o defeito. O coletivo saiu às 16h45 do São Gabriel e só chegou ao centro às 17h28 – 43 minutos em uma viagem que deveria ser feita em 20 minutos, segundo a média da semana.

Parte do atraso foi motivada por um defeito no sensor que avisa se a porta do veículo está aberta ou fechada. Ao longo da semana, ao menos mais dois problemas técnicos foram registrados nos novos ônibus articulados – a Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) só mencionou um caso em balanço enviado ontem.

Além do atraso motivado pelo defeito, mais 15 minutos foram gastos no congestionamento entre o Complexo da Lagoinha e a avenida Santos Dumont. “Não adianta ter prioridade no corredor se no centro o ônibus circular a 4 km por hora”, argumentou o engenheiro em transportes e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Nilson Tadeu.

A BHTrans tentou resolver o problema dos congestionamentos pintando uma faixa preferencial para o Move no viaduto da Lagoinha, mas os condutores dos carros e motos ainda acessam a pista. “Isso tinha de ter sido planejado antes para que os motoristas se acostumassem com a faixa exclusiva”, afirmou a arquiteta e urbanista Alícia Rodrigues.

Experiência. Mesmo em fase experimental, já que as linhas convencionais ainda não foram retiradas, milhares de usuários optaram por conhecer o novo serviço. A lotação registrada nos horários de pico fez a BHTrans acrescentar quatro viagens da linha 83D, a mais disputada, na ida e na volta para casa.

A reportagem de O TEMPO convidou Alícia Rodrigues para conferir o sétimo dia de funcionamento do Move, assim como foi feito com a mesma especialista no sábado passado, primeiro dia do serviço. A equipe constatou que, apesar do reforço feito pela BHTrans, a frota ainda é insuficiente. Foi preciso esperar quatro ônibus da linha 83D passarem na avenida Paraná, no fim da tarde de ontem, até conseguir entrar em um.

Mesmo com a espera e a lotação, para os passageiros acostumados com ônibus convencionais quentes e demorados, o Move se tornou um alívio. “Isso aqui é bem melhor. Antes eu pegava uma linha convencional e ficava horas no trânsito”, disse a auxiliar de serviços gerais Cristiane Reis, 30.

A BHTrans avaliou, em nota, que o saldo da primeira semana do Move é positivo e informou que intensificou as orientações aos usuários. A desinformação foi a principal reclamação dos usuários na estreia.

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