Vacinação gera controvérsia

Pais questionam efeitos colaterais, riscos e até mesmo desdobramentos morais da imunização de meninas

iG Minas Gerais | Fábio corrêa |

Campanha. Meninas de 11 a 13 anos podem ser vacinadas em unidades de saúde e escolas de todo país
LEO FONTES / O TEMPO - 10/04/10
Campanha. Meninas de 11 a 13 anos podem ser vacinadas em unidades de saúde e escolas de todo país

A campanha de vacinação contra o HPV – Papiloma Vírus Humano –, iniciada na última segunda-feira pelo Ministério da Saúde em escolas e unidades de saúde, vem gerando polêmica. Enquanto médicos e educadores clamam pela necessidade de imunização contra o vírus responsável por 70% dos casos de câncer de colo de útero, alguns pais questionam a eficácia da vacina, os efeitos colaterais e até mesmo os desdobramentos morais de seu uso.

No Facebook, um grupo intitulado “Sou contra a vacina HPV” já reúne cerca de 200 internautas com ressalvas que vão desde possíveis paralisias, síndromes e falências ovarianas a preocupações com uma aceleração na iniciação sexual das jovens. Como a campanha oferece imunização gratuita a meninas de 11 a 13 anos, alguns pais creem que a medida poderia incentivá-las a praticar sexo.

“Em casa, deixo bem claro que sexo fora do casamento é pecado. Aí, pego minha filha e digo que vou dar essa vacina porque, se ela tiver relações sexuais, pode contrair o HPV e desenvolver o câncer. O que vou dizer a ela quando me perguntar: ‘mas, mãe, eu não posso fazer sexo só depois de casada?’”, questiona a dona de casa Aline Dias, mãe de duas meninas de 9 e 11 anos, e participante do grupo. “O melhor tratamento é a prevenção, e eu tenho que ensinar a ela que essa prevenção é feita evitando relações antes de casar”.

Especialistas. Se entre os pais a controvérsia é grande, entre médicos a maioria afirma que o risco-benefício indica que a vacinação é positiva. Segundo a sexóloga e ginecologista Stany Rodrigues, imunizar meninas em idade anterior à iniciação sexual é justificável. “Como qualquer vacina, deve ser usada no momento em que não há risco, ou seja, antes da exposição à patologia. A proposta de vacinar crianças é cobri-las contra o risco, já que no Brasil a iniciação sexual acontece por volta dos 14 anos”, explica. De acordo com a médica, a vacinação é uma oportunidade de diminuir o câncer de colo de útero, com cerca de 5.000 óbitos estimados para 2014 pelo Ministério da Saúde. “Não quer dizer que estamos validando que o adolescente inicie a vida sexual precocemente”.

Como as demais vacinas. Para o médico Sérgio Augusto Triginelli, professor de obstetrícia e ginecologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), os efeitos colaterais do Gardasil (medicamento norte-americano empregado na vacina) não são maiores nem menores que o de outras vacinas.

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