À luz do dia, praça do Papa vira um ‘fumódromo de maconha’

Moradores, frequentadores e turistas se sentem acuados e reclamam de insegurança

iG Minas Gerais | Pedro Vaz Perez |

Jovens. Grupo é flagrado consumindo drogas em brinquedo destinado às crianças
MARIELA GUIMARAES / O TEMPO
Jovens. Grupo é flagrado consumindo drogas em brinquedo destinado às crianças

Um dos horizontes mais belos da capital mineira, imortalizado nas palavras do pontífice João Paulo II em 1980, ameaça ficar ofuscado pelo uso indiscriminado de drogas. A estrutura da praça Israel Pinheiro, conhecida como praça do Papa, no bairro Mangabeiras, na região Centro-Sul da cidade, também tem rendido diversas reclamações de frequentadores e trabalhadores do local, bem como moradores do entorno, como a falta de iluminação adequada e a sensação de insegurança.

A qualquer hora é possível sentir o cheiro de cigarros de maconha consumidos por alguns frequentadores. “Pessoalmente, não me importo, mas não traria crianças para ver esses atos. É uma situação embaraçosa”, afirma o pedreiro Alex Magno, 22. Já o médico Otávio Carvalho, 64, que mora há 25 anos na região, reclama que a falta de repressão policial pode abrir caminho para outros crimes. “É preciso tolerância zero. Uma coisa leva à outra. Em breve, chegarão os traficantes”, avalia.

Por sua vez, alguns usuários da droga que não quiseram se identificar afirmam que, mesmo cientes da ilegalidade, consideram a praça como espaço democrático. “Há um respeito mútuo. Tem o pessoal do esporte, as crianças e nós. Está tudo certo quando ninguém desrespeita ninguém”, afirmou um consultor de imóveis de 24 anos.

Um estudante de direito de 20 anos afirma que os usuários de maconha não são problema. “Maconheiro não assalta. O problema é o pessoal que sobe de ônibus, surfando nos tetos. Eles vêm mal-intencionados. Eu mesmo fico com medo de vir aqui à noite, pois é muito escuro”, avalia o jovem.

Breu. À noite, a escuridão toma boa parte da extensão da praça, pois a iluminação não é suficiente. O gramado inferior, que abriga os brinquedos, quase não tem luz. “É o melhor lugar para deitar e ver o céu. Escapar por um tempo do estresse da selva urbana. Mas há algumas semanas, quatro assaltantes nos abordaram”, relata o estudante Rodrigo Dangelo, 18. Ele estava com seis amigos, que tiveram os celulares roubados. Mas, mesmo com mais preocupação, ele não deixará de frequentar o espaço. “Não troco a praça pública por shopping nem clube. A energia é outra”.

Segurança. De acordo com o major Fabiano Rocha, comandante da 127ª Companhia da Polícia Militar, responsável pela área, a frequência de usuários no local é baixa, e operações constantes de abordagem têm sido feitas. Além disso, há uma base comunitária móvel na praça da Bandeira, localizada nas proximidades. “O problema é que o usuário, ao ver a aproximação da polícia, se dispersa ou se livra da droga. Assim, não há materialidade”, afirma. Segundo ele, o usuário não pode ser preso, mas é conduzido à delegacia, onde é fichado e encaminhado à Justiça.

Já a Guarda Municipal informou que atua com ronda de carro todas as noites, mas não existem agentes fixos no local por limitação de efetivo. Segundo a instituição, há outras prioridades, como a ronda em unidades de saúde e de educação ou praças de maior fluxo.

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