Herbalife investigada por pirâmide

Maior parte do faturamento viria do recrutamento de revendedores, não de produto

iG Minas Gerais |

Até Lionel Messi. De alcance mundial, Herbalife patrocina esportes e tem atletas em seus anúncios
herbalife/divulgação
Até Lionel Messi. De alcance mundial, Herbalife patrocina esportes e tem atletas em seus anúncios

WASHINGTON, EUA. A Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) abriu uma investigação contra a multinacional de vendas diretas Herbalife para apurar se a companhia opera um sistema ilegal de pirâmide financeira. A investigação foi motivada pelas acusações do investidor William (“Bill”) Ackman, que vêm sendo feitas há mais de um ano.

Ele acusa abertamente a Herbalife de usar um sistema ilegal para obter recursos. O investidor afirma que a maior parte do faturamento da empresa viria do recrutamento de novos revendedores, e não da venda dos produtos fabricados. Ackman, que é gestor da Pershing Square Capital, destacou que tem novas provas de que o esquema da Herbalife também viola as leis da China.

A Herbalife enfrentou uma forte desvalorização de suas ações depois da confirmação da investigação, no último dia 12. Após os papéis da companhia chegarem a cair 12% no meio do dia, sua negociação teve de ser interrompida por cerca de meia hora na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). No fim do dia, a ação teve desvalorização de 7,4%.

Em comunicado, a Herbalife afirmou que está aberta a cooperar completamente com a investigação da FTC. A empresa diz que há uma “tremenda quantidade de desinformação” sobre sua atuação. A Herbalife diz estar em conformidade com todas as leis norte-americanas. Até agora, a companhia tem recebido apoio de alguns de seus investidores – incluindo os bilionários Carl Icahn e George Soros, que compraram uma briga pública com Ackerman – em suas afirmações.

De acordo com documentos revelados pelo jornal “The New York Times” no último dia 10, Bill Ackman gastou com US$ 264 mil com lobistas nos Estados Unidos para pressionar a companhia. Na outra ponta, a própria empresa teria gasto quase US$ 2 milhões lutando contra as reivindicações do gestor, de que a Herbalife opera esquema de pirâmide.

Denúncias. Em janeiro último, o senador do Estado de Massachusetts Edward Markey enviou uma carta à FTC recomendando que as práticas comerciais da companhia fossem examinadas. Em fevereiro, foi a vez de uma associação da comunidade hispânica Lulac e de outros grupos de proteção a minorias pedirem ao Congresso e a autoridades federais que investigassem as práticas da Herbalife.

 

Registro feito em paraíso fiscal

Perfil

Dedicada à venda de suplementos vitamínicos e para perda de peso, a Herbalife distribui o seu produto por meio de consultores independentes que se baseiam no slogan “Quer perder peso? Pergunte-me como”

Vendas

US$ 4,8 bilhões em 2013, alta de 17% em relação à receita de 2012, que havia sido de R$ 4,1 bilhões

Onde fica

Está registrada nas Ilhas Cayman, consideradas paraíso fiscal, e sua sede fica em Los Angeles (EUA)

A denúncia

O “grosso” do dinheiro que entra na Herbalife viria não da venda dos suplementos, mas do recrutamento de vendedores. Usar o dinheiro de quem entra para remunerar quem é mais antigo é a essência do golpe da pirâmide.

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