Repasse vai pesar na inflação

iG Minas Gerais |

São Paulo. O pacote do governo de socorro ao setor elétrico “é uma anunciação de mais inflação para frente”, avalia o economista Fábio Romão, da LCA Consultoria. “Mais um elemento que dificulta o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar dentro dos 6,5%, que é o topo da meta de inflação. O cenário já não é bom, e esse é mais um fator que pesa. É uma equação difícil de fechar”, disse.

Para ele, “o impacto deve ficar mais para frente, pois há um escalonamento do repasse ao longo do tempo. Além disso, pode ter reflexo indireto em outros preços da economia, pois interfere no preço de outros produtos e não apenas na energia residencial”. Segundo Romão, as medidas também terão impacto fiscal, embora ainda não seja possível estimar o peso dos novos aportes. Na opinião de Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, seria melhor o governo promover um ajuste imediato de tarifa, mesmo que escalonado, ainda que gere impacto na inflação. Para ela, seria uma alta momentânea, diferente de um processo inflacionário.

Felipe Salto, da Tendências, vê o pacote como “correto para equacionar uma conta que não fechava, mas a um custo elevado”, que será o impacto na inflação, nas contas públicas e nos programas que deixarão de receber investimentos porque o governo terá de usar recursos para bancar parte da conta. Romão lembra que o mercado já previa um aumento de preços nas distribuidoras de energia, estimados em 6,7% em relação aos preços consolidados no conjunto de distribuidoras do país. “Em comparação ao ano passado, quando houve queda de 15,7%, é muito”.

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