Memória da música nacional

Público mais jovem poderá conhecer história da Rádio Nacional e uma das maiores rivalidades da música brasileira

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

História. Importância da Rádio Nacional é relembrada por meio de duas de suas principais cantoras
ANTONIO DE BONIS
História. Importância da Rádio Nacional é relembrada por meio de duas de suas principais cantoras

Rivalidades nascem e não morrem. Ainda que arrefecidas, parcialmente esquecidas ou menos acirradas, basta uma lufada de vento para fazer com que o carvão que queimava mansamente em brasa recubra sua intensidade e logo vire fogueira. Relembrando a rivalidade entre duas das principais cantoras brasileiras, a partir de 1930, o musical “Emilinha e Marlene – As Rainhas do Rádio” é atração no Sesc Palladium nesse fim de semana.

O enredo se centra na história de duas irmãs que voltam à casa da falecida mãe para remexer em objetos do passado. Nesse exercício de memória, elas revelam a rivalidade familiar existente entre elas, já que uma é fã de Emilinha e a outra de Marlene. “O espetáculo funciona por meio de flashbacks. As irmãs vão evocando a memória da disputa entre as duas”, explica o diretor Antonio de Bonis. Na construção dessas duas personagens emblemáticas, o diretor revela não ter a incessante busca por uma “reencarnação” do personagem por parte de suas atrizes. “Eu não queria que as duas fossem caricatura. Essa é uma marca de meu trabalho. Desde o meu primeiro musical tento descobrir características do espírito daquela personagem. Que energia essa pessoa tem no palco e na vida? Busco descobrir a essência dela”, garante.

Emilinha Borba era a rainha da Rádio Nacional. Com seu estilo brejeiro e sua voz delicada, arrebatava vários fãs. Em 1949, a novata Marlene supera Emilinha no concurso de Rainha do Rádio. A partir dai, começa a rivalidade histórica entre elas e seus fãs-clubes, que nas palavras do jornalista Mário Filho, era o “Fla-Flu dos que não gostam de futebol”. Ainda hoje, 65 anos depois daquele já distante ano de 1949, a rivalidade permanece viva entre os fãs-clubes de ambas. “Principalmente, os fãs de Emilinha, que vão aos espetáculos e jogam rosas no palco após as músicas. É curiosa essa relação. Alguns desses fãs estão sempre presentes nas apresentações e pedem para colocar coisas e retirar outras. Eles reivindicam. Algumas colocações são pertinentes, mas é uma obra de ficção. Não é apenas o real”, destaca o diretor. A curiosidade é que a plateia pode comprar ingressos em áreas distintas, divididas entre “fãs de Emilinha” e “fãs de Marlene”.

longa estrada. Cansado de encarar a cena como ator, o hoje diretor buscava uma nova forma de se manter envolvido com a produção teatral. Então, em 1989, De Bonis começou sua relação com musicais. Seu primeiro foi “Lamartine para Inglês Ver”. Já se passaram 25 anos de lá para cá. O diretor sempre buscou levar à cena personagens menos conhecidos do público. Em seu currículo, trabalhos sobre vida e obra de Orlando Silva, Dolores Duran, Lamartine Babo, dentre outros. “Minha vontade é retratar essa memória da música brasileira, quem cantou, quem era o compositor. Quando a gente coloca essas duas cantoras no palco e a nova geração não sabe nada das duas, nem da Rádio Nacional, minha ideia é esse resgate de memória. O pessoal mais velho vai e gosta porque relembra de coisas da época, e os jovens têm esse contato com o desconhecido que pode gerar uma curiosidade de buscar informações sobre aquele personagem”, destaca De Bonis.

Agenda

O quê. “Emilinha e Marlene - Rainhas do Rádio”

Quando. Hoje, às 20h30, amanhã às 19h.

Onde. Grande Teatro Palácio das Artes (avenida Afonso Pena, 1.537, centro)

Quanto. Entre R$ 120e R$ 50; R$ 60 e R25 (meia entrada)

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave