Rubén Magnano afirma esperar por grupo de qualidade no Mundial

Em entrevista coletiva realizada nesta sexta-feira, treinador da seleção masculina de basquete acredita que tempo pode ser aliado para ter contundidos jogadores da NBA à disposição

iG Minas Gerais |

Diante de tradicional seleção de Porto Rico, Brasil quer iniciar a competição com uma boa impressão
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O técnico da seleção brasileira masculina de basquete, Rubén Magnano, marca presença, até domingo em Belo Horizonte para curso focado em treinadores que trabalham com jovens da modalidade de até 14 anos.

Em coletiva realizada nesta sexta-feira, em hotel na cidade de Nova Lima, Magnano atendeu a imprensa e falou sobre suas expectativas para o Campeonato Mundial, marcado para acontecer na Espanha entre 30 de agosto e 14 de setembro.

Uma das dúvidas que permanece e se mostra reincidente é sobre a presença dos maiores nomes do país no torneio. Atletas como Nenê, Leandro, Ânderson Varejão e Tiago Splitter não estão garantidos, apesar de serem esperados pelo treinador.

Apesar da programação ainda não estar fechada, viagens para a Espanha e EUA, países onde estão os maiores nomes do país, estão agendadas para que o treinador possa ver e sentir, de perto, o interesse e motivação dos atletas.

"Temos muitos atletas machucados, mas temos tempo para recuperá-los. Alguns terão condições, por exemplo, de participar dos play-offs da NBA e chegar no Mundial em boas condições. Tenho esperança de que teremos uma boa quantidade de atletas de alto nível à disposição. Falta, no entanto, uma conversa séria para que possamos saber o que eles pretendem", sentencia.

Atletas como Leandrinho, Nenê, Varejão, Raulzinho e Rafael Hettsheimer ainda estão contundidos e precisarão mostrar evolução nos quadros para ajudarem o Brasil.

Depois de ser eliminado na Copa América do ano passado sem somar uma única vitória, o treinador espera que o mau resultado sirva de lição. "Foi um erro que cometemos e que nos trouxe um grande aprendizado. Foi a pior experiência que tive até hoje à frente da seleção. Nosso primeiro jogo não é contra a França, na estreia. O primeiro jogo será formar um time de qualidade, capacitado e comprometido. Tenho certeza de que sairemos vitoriosas neste jogo de abertura do Mundial", garante.

Além da França, o Brasil ainda vai encarar Espanha, Sérvia, Irã e Egito em um grupo de seis, onde quatro se classificam.

As vaias recebidas por Nenê durante jogo da NBA no Rio de Janeiro não assustam Magnano, que admitiu tristeza com o ocorrido. "Muitos falam sem saber o que aconteceu, sem conhecer a realidade sobre sua situação física. É um jogador importante, que não merece isso. Iremos superar isso somente com trabalho e bons resultados. Desta forma, voltaremos a conquistar a torcida", mostra. Trabalho com a base mineira foi bastante elogiado

A passagem do comandante pela capital mineira deixou os responsáveis pela formação de atletas entusiasmados com os ensinamentos vindos de um dos grandes nomes do esporte, responsável pelo título olímpico da Argentina em 2008.

"É um trabalho de grande importância, que renderá muitos frutos no futuro. É preciso saber ensinar e, para isso, uma preparação constante é necessária. Fiquei feliz com o número de presentes (mais de 60 pessoas), que me presentearam com o silêncio. Isso mostrou o respeito e a atenção deles nas minhas palavras, deixando claro o foco e comprometimento deles com o que fazem", comentou Magnano, em entrevista coletiva realizada na tarde desta sexta-feira em um hotel de Nova Lima.

Magnano acredita que os professores conseguiram incorporar suas ideias e ensinamentos, mesmo com o pouco tempo de encontro. "Não passamos nenhuma verdade absoluta. Apenas demos uma pequena mostra da experiência que temos dentro do basquete. Eles terão um bom conteúdo para utilizar no dia-a-dia, que deve acontecer de acordo com o que eles pensam e tem como conceitos. Eles irão usar o que acham interessante. Tudo também dependerá da capacidade de cada um deles", indica, certo de que os ensinamentos serão recíprocos.

A ideia de um curso focado na nova safra foi muito elogiada por Magnano, que sabe da importância do trabalho com a base, algo já comum em países de maior tradição no basquete internacional como Espanha e Argentina. "O nível de formação destes países é de excelência. Precisamos imitar estas ações. É interessante termos uma nova escola de treinadores, algo que ficou perdido no tempo. O número de clubes e jogadores de qualidade deixa claro a estrutura presente nestes locais, fazendo-nos entender melhor os motivos de tão bons resultados ao longo do tempo", analisa.

O trabalho feito em Minas Gerais, pela Federação Mineira de Basquete (FMB) mostra o esforço da entidade com o futuro da modalidade. "As parcerias que estão sendo realizadas entre clubes e escolas é muito válida. Dali, sairão muitos jovens de qualidade e este é o caminho. Teremos matéria-prima de sobra para ser lapidada. É preciso intensificar e massificar o trabalho de base", afirma.

LDB pode ser revista

A Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB), campeonato sub-22 que dá importantes oportunidades para jovens talentos do país, também foi analisado por Rubén Magnano.

"Tenho mais elogios do que críticas. Mas, algumas coisas podem mudar", opina.

Para ele, a sequência de jogos, defendida pela organização, para dar mais experiência aos jovens, às vezes acaba sendo um 'tiro no pé'.

"O formato de uma pesada sequência de jogos faz o nível técnico cair, principalmente na fase final, quando eles se mostram cansados. Claro que é importante jogar e ganhar experiência, mas às vezes isso pode ser prejudicial, atrapalhando o crescimento. A eficiência acaba ficando pelo caminho", lamenta.

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