Nem carrasco nem liberal

Brasil vem de três estilos diferentes de técnicos em Copas e resultados mostram qual é o melhor

iG Minas Gerais | Diego Costa |

Sucesso. Em 2002, Scolari adotou o estilo ‘paizão’ e teve sucesso com a conquista do penta
DARIO LOPEZ-MILLS
Sucesso. Em 2002, Scolari adotou o estilo ‘paizão’ e teve sucesso com a conquista do penta

O fator psicológico vem sendo cada vez mais estudado no esporte, sobretudo no futebol. Nas duas últimas Copas do Mundo, a seleção brasileira teve perfis bastante diferentes, que beiram os extremos, durante a fase de treinamentos para a competição.

De um lado, num clima de festa, estava o técnico Carlos Alberto Parreira, em uma preparação marcada pela descontração em terras suíças para a Copa de 2006. Do outro, com Dunga, a rigidez de um comandante com os atletas, que se comportavam como verdadeiros soldados em um exército pronto para a guerra que seria o Mundial de 2010. Resultado: as duas equipes fracassaram e caíram nas quartas de final do torneio de seleções.

Pentacampeão em 2002, o ex-jogador Cafu também fez parte do grupo comandado por Parreira, na Copa da Alemanha. Ele encara com naturalidade a diferença de perfis entre os treinadores.

“Cada treinador tem seu estilo. O Felipão se consagrou porque foi campeão. O Dunga fez um estilo e não foi campeão. Eu também tive meu estilo como capitão, fui campeão e perdi também. Isso é relativo. Quando o grupo está na mão é muito mais fácil”, disse Cafu.

Membro do International Society of Sport Psychology (ISSP) e professor adjunto da UFMG, Franco Noce explica que a definição do método psicológico a ser adotado deve ser pensado em conjunto.

“Isso pode ser decidido de forma democrática. A finalidade do técnico, como um líder, é fazer tudo em prol do grupo para atingir as metas que foram estabelecidas. Os extremos raramente surtem efeito no esporte”, afirmou Noce.

Em 2014, Felipão volta a comandar o Brasil em um Mundial. Na Copa de 2002, o trabalho ficou marcado pela “Família Scolari”. Por isso, o treinador é encarado como um grande motivador dos atletas. Aposta na união entre os jogadores na busca pelos objetivos.

Neste ano, com o torneio sendo disputado em terras brasileiras, a pressão passou a ser maior pela conquista. O trauma vivido em 1950 ajuda a alimentar a responsabilidade do atual elenco. O técnico da seleção tem adotado um discurso otimista, afirmando que o Brasil vai levar sexto troféu. Franco Noce aprova a postura do treinador diante do favoritismo brasileiro.

“Ele está fazendo a coisa certa. É um técnico experiente, vitorioso, o grupo também é. A vitória começa na sua cabeça. O fenômeno da autoconfiança é uma estratégia fundamental. É um ponto importante. A falta de confiança gera a insegurança. E o excesso pode levar a uma acomodação, e até a uma queda de rendimento”, ponderou Franco Noce.

Cafu também acredita que o perfil do treinador vai auxiliar na busca pelo hexa em casa. “É óbvio que a questão psicológica vai contar bastante. O fato de a Copa ser no Brasil pesa muito. Depois de anos que não ganha, ainda tem o fato de ter perdido a final em 1950. O Felipão é experiente para passar para essa garotada a importância que tem essa Copa no Brasil”, disse o lateral-direito de 2002.

Itaquerão

Corinthians. O primeiro encontro com seu novo estádio está marcado para amanhã. De 9h às 11h, os jogadores conhecerão o local e farão também um treino por lá. Por motivos de segurança, a atividade não será aberta à torcida. Em reta final de construção, a Arena Corinthians, prevista para ser entregue no dia 15 de abril, está com 98% do projeto concluído. O local será palco da abertura da Copa, no dia 12 de junho, com Brasil x Croácia.

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