O que quer o PMDB

iG Minas Gerais |

Dizem que a base do governo federal morre de saudade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e já não consegue disfarçar a sua intolerância em relação à presidente Dilma Rousseff. Os peemedebistas, que gostam de muitos carinhos e afagos, parecem estar absolutamente carentes. Para eles, falta tudo. Faltam emendas parlamentares, atendimento aos prefeitos de suas bases, concessões na formulação das alianças regionais, tempo e conversa no gabinete da Presidência da República, declarações e elogios públicos ao PMDB. Até aí, a insatisfação era só insatisfação. Mas aconteceu de a presidente vir a público para ironizar seu parceiro. Dilma Rousseff disse que o PMDB só lhe dava alegria. A partir deste momento, a situação mudou. Um peemedebista mineiro afirma, nos bastidores, que a presidente fez o que uma mulher jamais pode fazer a um marido. Ele explica que, além de não oferecer ao partido um tratamento diferenciado, a presidente ainda “tirou uma onda”. “A gente sabe que quem manda em casa é a mulher, mas ela não tem que sair dizendo isso para os amigos de seu marido. Aí é demais”, disse esse filiado ao PMDB, que se mostrou realmente ofendido com a declaração da presidente e solidário com os colegas de partido. À parte a visão machista e conservadora do parlamentar, a justificativa dele é compreensível. O PMDB estava aceitando algumas imposições da presidente a seco. Já não estava fácil para os peemedebistas; com uma declaração jocosa, a coisa ficou muito mais difícil. O mesmo peemedebista continua explicando a situação e mostra a carência do seu partido. Ele lembra as negociações que aconteceram com Lula. “Muitas vezes, a gente saía das reuniões com Lula com menos do que tínhamos quando entramos. Com menos argumento certamente, mas saíamos todos felizes com a conversa. Aí, ele dava uma entrevista para a imprensa elogiando a participação do PMDB no governo. Pronto, a turma ficava satisfeita”, afirma. Outro filiado ao partido diz que o PMDB quer mudar a imagem que tem com a população brasileira. Ele faz uma viagem ao passado e lembra que “um partido que foi o responsável pela redemocratização do país” não pode ser tratado como um simples aliado, sedento apenas por espaço e poder político. “O espaço é nosso. Já o conquistamos durante anos de luta. O que falta agora é o respeito e reconhecimento desse governo, que temos ajudado por anos”, declara. Em resumo, o PMDB quer ser tratado melhor e, mais importante do que isso, não aceita ser hostilizado publicamente. O que o partido quer não é diferente do que Lula já deu. Há quem diga que Lula deu muito. Há quem diga também que Lula não deu nada, apenas ofereceu status e muito carinho... 

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