Morre, aos 81, Paulo Goulart

Ator morreu em decorrência de um câncer renal avançado, ao lado da mulher, Nicette Bruno, dos filhos e netos

iG Minas Gerais |

Globo
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SÃO PAULO. O ator Paulo Goulart morreu ontem, em São Paulo, aos 81 anos. Ele estava internado no hospital São José, na região central da cidade. Entre agosto e outubro de 2012, ele ficou internado devido a um câncer na região entre os pulmões. Segundo nota do hospital, Goulart morreu “decorrente de um câncer renal avançado”. O corpo do ator está sendo velado no Funeral Home, na capital paulista. O enterro será hoje, no Cemitério da Consolação.

A família do ator conversou com repórteres no hospital, ontem. “Foi um final dolorido, mas uma passagem em paz com muito amor”, disse Nicette Bruno, viúva de Paulo. “Foi com todos os filhos e netos em volta. É eterno. Vamos ter esse momento de separação. Mas vamos nos encontrar. Tenho a certeza de que ele estará sempre conosco”, completou Nicette. Beth Goulart, filha do casal, agradeceu a todos os “amigos conhecidos e desconhecidos” que sentiram a perda. Todos choraram durante os depoimentos. Além de Beth, o casal é pai de Bárbara Bruno e o ator Paulo Goulart Filho.

Paulo Afonso Miessa nasceu em 9 de janeiro de 1933 em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. Seu sobrenome artístico – Goulart – veio de seu tio, o radialista Airton Goulart. Seu primeiro emprego foi como DJ, operador e locutor em rádio fundada por seu pai, em Olímpia, também no interior paulista. Mudou-se para São Paulo para estudar química industrial. “Cheguei até o segundo ano (do curso) e descobri minha verdadeira vocação. Graças a Deus, o teatro me tirou da química”, disse ele em entrevista, em 2010.

Na capital, fez teste para locutor na Rádio Tupi. Apesar de não ter passado no teste, foi contratado como ator de rádio por Oduvaldo Vianna. “Foi a primeira pessoa que sacou esse meu talento, essa coisa histriônica dos atores sem uma formação de escola”, disse Paulo, certa vez. Logo começou a aparecer também na televisão, na TV Tupi. “A televisão estava começando, era 1951. Nós éramos contratados da rádio, e a TV Tupi era sustentada pelo rádio. Então, tínhamos também a obrigação de fazer televisão. O primeiro programa que eu fiz na TV foi com o Mazzaropi!”, contou o ator.

Em 1952, foi contratado pela TV Paulista para fazer parte da novela “Helena”, de Manoel Carlos.

No mesmo ano, fez sua estreia no teatro, na peça “Senhorita Minha Mãe”. Em 1953, fundou com a atriz Nicette Bruno, que conheceu no período e com quem veio a se casar em 1954, a companhia Teatro Íntimo Nicette Bruno.

No cinema, estreou em 1954, na comédia “Destino em Apuros”, de Ernesto Remani. Neste que é tido como o primeiro filme colorido produzido no Brasil, Goulart contracenou com Paulo Autran, Sérgio Britto, Ítalo Rossi e Inezita Barroso. Seu segundo trabalho no cinema foi em “Rio, Zona Norte” (1957), de Nelson Pereira dos Santos.

Antes de estrear na TV Globo, em 1969, Paulo Goulart morou com a família por um período no Paraná – onde trabalhou com teatro e TV – e passou pela TV Excelsior. Entre o fim da década de 1950 e o começo da de 1960, prosseguiu atuando no cinema. Só no ano de1958, esteve em nada menos que cinco filmes.

Paulo estreou na Globo, em “A Cabana do Pai Tomás”. No canal, atuou também em várias novelas e minisséries. Teve também passagens pela TV Tupi – lá atuou em “Éramos Seis” e “Gaivotas” – e Bandeirantes – onde fez, por exemplo, “Chapadão do Bugre”.

Sobre o fato de todos os seus filhos terem seguido a carreira artística, ele disse: “Eu estou sempre fazendo o papel de pai de atores que têm quase a minha idade. Eu comecei muito cedo a fazer personagens que são pais, talvez porque, na vida real, eu seja um paizão – e me orgulho disso!”.

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