Ex-secretária de MDC doa dinheiro para mensaleiros

Doações feitas pela petista e por outros correligionários do partido geraram críticas do ministro Gilmar Mendes; ‘ofendida’ com declarações, militante quer retratação na Justiça

iG Minas Gerais | Lisley Alvarenga e Raquel Gondim |

Petista entrou na Justiça contra declarações de ministro
Reprodução
Petista entrou na Justiça contra declarações de ministro

Alvo de críticas no período em que esteve à frente da Secretaria Municipal de Saúde, durante a administração da ex-prefeita MDC (PT), o que teria provocado, inclusive, sua saída do comando da pasta, em janeiro de 2012, a ex-secretária de Saúde Conceição Aparecida Rezende se envolveu em mais uma polêmica recentemente. Ela fez doação aos petistas condenados e presos por participarem do esquema de compras de votos que ficou conhecido como mensalão, considerado o maior escândalo de corrupção do Brasil.

O fato teve desdobramentos em âmbito nacional, já que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes fez, no dia 4 de fevereiro, declarações à imprensa sobre as doações. Em seu discurso, o ministro disse achar “esquisito” o fato de os petistas condenados no mensalão terem conseguido levantar, em poucos dias, o dinheiro necessário para pagar as multas impostas pelo STF. “Será que não há um processo de lavagem de dinheiro aqui?”, questionou. Na ocasião, o ministro solicitou ainda que o Ministério Público fizesse uma intervenção no caso e verificasse os repasses efetuados.

As doações foram feitas depois de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) terem aplicado multas milionárias aos réus condenados do mensalão.

Com a decisão, o Partido dos Trabalhadores organizou uma espécie de “vaquinha”, em que correligionários da sigla colaboraram financeiramente para ajudar os mensaleiros. Conceição, que participou da fundação do PT, disse ter doado R$ 200 para o ex-ministro José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e para o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. As declarações do ministro Gilmar Mendes geraram um forte descontentamento na ex-secretária de Saúde, que entrou com uma interpelação contra Mendes na Justiça por ter se sentido “ofendida” pelas palavras dele. “Fiquei revoltada com a forma desrespeitosa com que fui tratada. Foi ofensivo e acho impressionante o ministro sair dizendo coisas que ele não poderia”, reclamou Conceição.

A interpelação judicial é o instrumento utilizado por uma das partes para tentar esclarecer se o que a outra parte disse é ou não ofensivo. Com base em eventual resposta, o supostamente ofendido pode entrar no STF com queixa-crime sob alegação de injúria, calúnia ou difamação.

Segundo Conceição, seu objetivo é conseguir um pedido de desculpas do ministro. “Eu não entrei com a interpelação pensando em uma ação futura. Quero um esclarecimento de por quê o ministro acha que eu cometi lavagem de dinheiro. Ele deve uma satisfação a mais de 5.000 pessoas que fizeram doações”, afirmou.

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