Por dia, duas mulheres são agredidas no município

Segundo dados da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Betim, somente entre julho e dezembro do ano passado, foram contabilizados 361 casos

iG Minas Gerais | DAYSE RESENDE |

Vítima mostra ocorrências registradas contra o ex-companheiro por ameaça e agressão
João Lêus
Vítima mostra ocorrências registradas contra o ex-companheiro por ameaça e agressão

No mês em que inúmeras homenagens são prestadas às mulheres em todo o mundo em virtude do Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, dados alarmantes de violência doméstica obtidos pela reportagem de O Tempo Betim revelam que muitas delas ainda têm uma barreira difícil de ser superada.

Segundo números da Polícia Civil, somente entre julho e dezembro do ano passado, 361 mulheres registraram queixas de agressão na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher em Betim. A média é de dois crimes por dia.

Outra queixa frequentemente feita é sobre ameaças. Em seis meses, foram atendidos 214 casos na delegacia, ou seja, média de um por dia. Outras 15 mulheres foram vítimas de estupro durante o período.

Em todo o ano, 350 medidas protetivas com base na Lei Maria da Penha, promulgada em 2006 e que tem como objetivo combater esse tipo de violência, foram instauradas. O número é 28,5% maior que o do mesmo período de 2012, quando houve 250 pedidos. Neste ano, até quarta-feira (12), outras 80 medidas de proteção já haviam sido solicitadas à Justiça.

Na visão da delegada Ariadne Elloise Coelho, esses números crescem à medida que mais mulheres buscam ajuda. “Acho que a população já está mais ciente de que existe uma lei para proteger as mulheres da violência doméstica”, disse.

A delegada também esclarece que 80% dos casos atendidos por ela foram motivados pelo uso de bebida alcoólica ou droga pelos parceiros. “Outros fatores que desencadeiam a violência doméstica são ciúmes e insatisfação com o término de relacionamento”, explica.

Ariadne também destaca que, na maioria dos casos, a violência contra a mulher tem um ciclo, que começa com insultos do parceiro, depois ameaças e violências que podem terminar até em morte. Esse é o caso de uma mulher de 28 anos que, depois de registrar duas ocorrências contra o ex, uma de agressão e outra de ameaça, viu o seu atual companheiro ser executado na frente dos filhos por ciúmes.

À reportagem, ela contou que o relacionamento dos dois sempre havia sido muito conturbado e que o ex-marido já teria a ameaçado de morte várias vezes através de mensagens no celular. Além disso, ele já teria a agredido grávida. “Ele sempre foi muito agressivo, e, com medo do pior, eu já havia denunciado as agressões à polícia, mas nada foi feito”, lembra.

Hoje, após o crime, a mulher reclama da morosidade da Justiça, que, apesar de ter expedido uma medida protetiva e um mandado de prisão contra ele, ainda não conseguiu efetuar a prisão do autor dos disparos. “Perdi o emprego, tive que tirar meus filhos da escola e estou morando de favor na casa de um conhecido. Não posso mais sair de casa, porque, apesar da medida protetiva, meu ex-marido está solto. Tenho medo de que ele volte e faça algo contra a gente. Minha vida acabou”.

Como agir A orientação da polícia para as vítimas é buscar apoio para evitar a violência doméstica. “Ela deve vir até a delegacia ou procurar uma companhia da Polícia Militar para fazer a comunicação das agressões”, diz a delegada. No entanto, caso a vítima tenha um constrangimento inicial, ela pode buscar ajuda na rede de enfrentamento à violência, como no Creas e no Conselho Tutelar. “A violência doméstica não atinge apenas a família que vive com o agressor, mas toda a sociedade, porque a pessoa violenta tem esse comportamento também com os filhos, no trânsito e em outros locais. Por isso, o recomendável é que as vítimas não escondam os fatos por medo ou vergonha”.

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