Uma questão de vocação

iG Minas Gerais | Lygia Calil |

Leonardo Paixão, 32, é o dono do restaurante Glouton
Paula Huven
Leonardo Paixão, 32, é o dono do restaurante Glouton

Nem só do direito vieram os chefs egressos de outras profissões. Leonardo Paixão, hoje à frente do Glouton, era médico. Sim, depois de tanta dedicação para passar no vestibular do curso mais concorrido da faculdade e ainda tantos anos de esforços para concluir a graduação, ele abandonou a carreira e partiu para a França para se aprimorar. Lá, de novo, fez questão da dificuldade: foi à Ferrandi.

Mas a decisão não foi de uma hora para outra, como uma catarse. A paixão pela gastronomia o acompanhava desde a infância, mas na hora de escolher a profissão, houve pressão pela medicina. “Na minha família são muitos médicos, segui mais ou menos a onda. Também existia o desafio, passar era difícil e eu fui lá e fiz. Meu sonho era ser da Cruz Vermelha, queria ser um médico aventureiro. Acabei me frustrando porque precisava dar vazão à minha criatividade, e a rotina da profissão era maçante”, recorda.

Ele até que tentou conciliar as duas coisas, se dedicando durante a semana à medicina e cozinhando em casa ou em eventos aos fins de semana. Mas chegou a um ponto em que não deu mais, sobretudo depois da primeira experiência em cozinha profissional, no restaurante Taste Vin. “A culinária foi ocupando cada vez mais a minha vida, e eu ficava deprimido por não poder viver disso. Se eu amasse a medicina como amo a culinária, seria um ótimo médico. Mas é uma questão de vocação mesmo, não tem como lutar contra”, diz.

Na trajetória do chef Robson Viana, do Ephigênia Bistrô, aconteceu o contrário: a família dele estava na cozinha, e ele tentou seguir outro caminho. O pai já era chef e levou os irmãos, mas ele não – pelo menos, não na primeira tentativa.

Na escolha da profissão, Robson acabou optando por ser técnico em farmácia, cargo que ocupou por três anos. “Era uma fantasia. Eu queria mesmo era ser médico, ou cientista, trabalhar em um laboratório, executar operações. A farmácia foi o mais próximo disso que consegui. Mas chegou uma hora que vi que era preciso fazer outra coisa”, conta ele.

A troca do jaleco branco da farmácia pelo dólmã foi natural, para ele. “Me senti um peixe caindo dentro d’água na primeira vez que pisei em uma cozinha profissional. Parece que estava no sangue. Hoje, minhas experiências científicas são os pratos que crio. Limpar um badejo, por exemplo, é quase uma cirurgia”, brinca o chef. 

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