O paraíso de Bey é nosso!

iG Minas Gerais |

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Sonhei que era o Luciano Huck. Mas não era um Luciano Huck qualquer, com um programinha no sábado e a audiência de um pequeno nicho da Globo. Era um Luciano Huck melhorado, um apresentador global de nível internacional, mais do que o verdadeiro já é. Tinha um programa que alcançava o mundo todo, e não me prendia a apenas dar um lar, doce lar pra um ou melhorar uma lata velha pro outro. Viajava pelos lugares mais exóticos do planeta e entrevistava as pessoas mais interessantes que lá estavam. Era imponente, charmoso, bem-vestido, fluente em várias línguas, tudo que o verdadeiro Luciano Huck é, mas com uma diferença: era eu, com a fama e a vida do cara, com os contatos e a invejada conta bancária dele, com a imagem de bom moço e a estrutura de um empresário bem-sucedido que só um sonho pode proporcionar.

Daí, certo dia, meu programa (que, definitivamente, não se chamava “Caldeirão do Huck”) estava de passagem pela Bahia. Era Carnaval e, em todos os cantos do país, se ouvia marchinhas, axés e “lepo lepos”, mas onde eu estava não tinha nada disso. Estava em um paraíso baiano chamado Trancoso. A pauta daquele programa seria mostrar como sobreviver na Bahia, fugindo da folia carnavalesca. Nesse perfil, estavam dois ídolos internacionais, que passavam pequenas férias no local, numa casinha alugada por cerca de R$ 1 milhão, naquelas areias que mais parecem fios de ouro. A cantora Beyoncé, seu marido, o rapper Jay Z, e a filha deles, Blue Ivy, de 1 ano e pouquinho, estavam lá e, como eram meus amigos íntimos, iriam me dar uma entrevista.

Por mais incrível que isso possa parecer, eu não conhecia essa parte da Bahia, e a diva pop iria me apresentar o lugar. Com Blue nos braços e os cabelos crespos e loiros ao vento, Beyoncé me levou a cada cantinho de Trancoso. Por intermédio dela, me hospedei em uma pousada no Quadrado, que é a área central do lugarejo, onde fica a simples e indescritível igrejinha de são João Batista e dezenas de envolventes restaurantes e lojas de artesanato local. O lugar é badalado, uma singela caminhada até a praia já é um espetáculo, e poucos quiosques com música eletrônica movimentam as praias de lá, mas Bey, como a chamava na intimidade, não curtia essa vibe. Foi então que ela sugeriu que fizéssemos uma programação mais roots. Poderíamos ter ido de carro, por uma estradinha de terra, mas ela quis ir de helicóptero – movimentando o terceiro maior trânsito aéreo brasileiro de helicópteros, perdendo apenas para São Paulo e Rio, e demonstrando a riqueza do lugar. Fomos no meu. Eu pilotava com maestria, mas perdia o fôlego ao avistar de cima paraísos descomunais como a praia do Espelho, tida como uma das praias mais bonitas do mundo.

Aterrissamos em Caraíva, e lá, sim, eu me apaixonei. Era tarde, o pôr do sol iluminava o encontro do rio com o mar, margeado por uma exuberância de florestas, corais e manguezais que meus olhos nunca antes haviam experimentado. A correnteza da maré alta engolia a água doce e escura, levando com ela as preocupações e os maus pensamentos. Logo anoiteceu, Bey ajudou um chef de cozinha de um pequeno restaurante à beira da praia a preparar um prato de frutos do mar dos deuses baianos e, após o jantar, ainda cansados, caminhamos pelas ruas de areia e sem iluminação do lugarejo paradisíaco.

Tudo foi gravado. Minha equipe de produção é muito grande e competente. Um grupo de neurônios excitadíssimos por nunca ter visto ou sentido algo tão excepcional. Uma imaginação fértil elevada e aumentada pelos poderes exóticos da costa brasileira. Acordei ainda sonhando, querendo ser mais que um Luciano Huck, buscando aquela tal intimidade com Bey e aquelas lembranças que se misturam entre o real, o incrível e o inimaginável. Se possível, ainda mais “crazy in love” pela Bahia.

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