Andrade quer barrar os tucanos

Ministro diz que retomará comando do PMDB antes do previsto e descarta aliança com PSDB

iG Minas Gerais | Isabella Lacerda |

Antônio Andrade confirmou ontem que deixará ministério neste mês
Gilberto Nascimento - 12. 1.2011
Antônio Andrade confirmou ontem que deixará ministério neste mês

O ministro da Agricultura e presidente licenciado do PMDB de Minas, deputado Antônio Andrade, se prepara para deixar o comando da pasta antes do previsto. A informação foi confirmada nesta quanta-feira pelo próprio peemedebista, que disse esperar voltar a dirigir o partido ainda neste mês e não mais no prazo máximo de desincompatibilização, em 5 de abril.

Nos bastidores, a volta de Andrade à liderança do partido será adiantada para barrar a aproximação entre PMDB e PSDB, fato que se acentuou nos últimos dias após encontro do presidente tucano em Minas, Marcus Pestana e lideranças peemedebistas. Isso teria aumentado a preocupação dos petistas em relação à ameaça à aliança histórica com PMDB em Minas.

Nesta quarta-feira, o ministro garantiu que, com o seu retorno, não haverá mais espaços para negociação com os tucanos. “Se depender de mim, não tem mais conversa. Não fiquei nada surpreso com a conversa. Teria ficado se o PMDB tivesse ido atrás do PSDB. No partido, a gente recebe todo mundo. Mas manter as negociações é outra história”, declarou Andrade, um dos nomes do PMDB mais próximos ao PT e cotado para vice do pré-candidato ao governo, Fernando Pimentel.

O encontro entre Pestana e os peemedebistas tem gerado reações de todos os lados. Nesta quarta-feira o senador e presidenciável Aécio Neves admitiu interesse no apoio à sua candidatura em meio à crise entre PT e PMDB. O tucano afirmou que o PSDB nasceu da “costela” do PMDB e que, por isso, é “natural” que membros da sigla queiram apoiar o seu nome.

Aécio aproveitou para alfinetar os petistas. “Quanto mais o PT faz valer o seu projeto hegemônico que não busca aliados, mas busca apoiadores, é natural que em função das realidades locais haja uma aproximação. Isso não é estratégia do PSDB, é algo natural.”

Farpas. A declaração de Aécio ocorre um dia após o subsecretário de Juventude do governo de Minas, Gabriel Azevedo, tratar como um “nojo” a aproximação entre as legendas e garantir que sua posição crítica tem o apoio de outros tucanos. Nesta quarta-feira, porém, ele foi desautorizado por Marcus Pestana a falar em nome do partido. “É uma opinião solitária dele. Ele não é mais filiado ao PSDB e não tem nenhum poder de decisão. Não concordo com o tom e o conteúdo das declarações”.

O PMDB também soltou o verbo. Em nota, o ex-governador Newton Cardoso chamou Azevedo de “João ninguém” e disse que, em momento algum o PMDB convidou o PSDB para a visita.

Entenda o caso

Dificuldades.  Em Minas, a briga entre PMDB e PT é reflexo de alianças passadas. Em 2010, por exemplo, o PT abriu mão da cabeça de chapa em favor de Hélio Costa. Porém, o PMDB reclama que os petistas se omitiram na campanha. Crença. Agora, há uma ala no PMDB que defende candidatura própria. E o senador Clésio Andrade seria o nome. O PT, porém, já ofereceu vaga de vice e do Senado para convencer o partido a apoiar Pimentel. Nesse caso, Clésio ficaria sem espaço. Conversas. Assim, o PSDB mineiro quer trabalhar para convencer Clésio a defender a aliança com os tucanos.

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