Partido é dominado por família, que se reveza no comando

Presidência foi passada para irmã, e o pai atuou como fiscal

iG Minas Gerais | Creosolino Silveira |

Mesa. Até este ano, Câmara de Igarapé é presidida por Micharlis, que se nega a explicar suspeita
CMIGARAPE/DIVULGACAO
Mesa. Até este ano, Câmara de Igarapé é presidida por Micharlis, que se nega a explicar suspeita

A controversa eleição para o comando do PT de Igarapé ocorreu em uma casa do bairro Vale do Amanhecer, no endereço do vereador do PT de segundo mandato e presidente da Câmara Municipal, Micharlis Stânio da Fonseca. Ele dirigiu o partido na cidade até dezembro de 2013 e ocupou o cargo por dois biênios consecutivos. Na eleição interna em que até um defunto apareceu como eleitor, venceu Amanda Patielle Rezende Fonseca, irmã de Micharlis, com 55 votos. Ela se candidatou em chapa única e vai presidir o partido pelos próximos dois anos.

Das pessoas ouvidas pela reportagem, cujos nomes apareceram no documento de votação, nenhuma conhece Amanda, nem de nome. O responsável pela fiscalização do processo, o aposentado Alci Ferreira da Fonseca, é pai de Micharlis e Amanda.

A eleição teve um segundo fiscal, Ideraldo Bragioni, considerado braço direito do vereador dentro do PT municipal. Bragioni foi demitido da UFMG, em 2010, onde era servidor efetivo por improbidade administrativa. Ele recebeu penalidade máxima, conforme o Portal Transparência da União e o “Diário Oficial da União”.

Segundo uma fonte que pediu para não ser identificada e relatou as possíveis fraudes, é provável que quase 90% das assinaturas da lista estejam falsificadas. A família da presidente eleita, Amanda Patielle, juntamente com Bragioni, é acusada de ter se apropriado do partido de “forma irresponsável”.

“Houve, no dia da eleição, vários delitos, entre eles, falsificação de documento público, de assinaturas, formação de quadrilha, entre outros”, aponta o denunciante.

O denunciante afirma que Micharlis, quando ainda presidia o PT, foi comunicado sobre as suspeitas logo após a votação. Militantes solicitaram a destituição do presidente, a impugnação da vitória de Amanda e a realização de uma nova eleição. Nenhuma das reivindicações foi acatada.

Caso se confirmem as irregularidades na votação, os envolvidos ficam sujeitos a processo disciplinar no conselho de ética da legenda.

Expirou. O prazo para contestar suspeitas na eleição interna terminou no dia 10 de dezembro. Mas alguns militantes estão estudando oferecer denúncia ao Ministério Público e um pedido formal ao PT estadual.

A reportagem entrou em contato com o presidente do PT em Minas Gerais, Odair Cunha. Por meio de sua assessoria de imprensa, o deputado federal lembrou que, de fato, o prazo para pedidos de impugnação terminou. No entanto, os casos que tiverem surgidos depois de 10 de dezembro deverão ser encaminhados para análise da comissão de ética do partido, que dará parecer.

Projeção

Plano. Nos bastidores, Micharlis da Fonseca já teria um “plano B” caso seja investigado e punido no PT: ingressar em outro partido e disputar a prefeitura em 2016, sua principal meta política.

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