Comentários que se faziam necessários

iG Minas Gerais |

Tenho a satisfação de ler, no nosso jornal O TEMPO, a defesa do presidente regional do PSDB, político jovem e promissor, em prol de outro respeitável homem público mineiro, o ex-governador Eduardo Azeredo, na saga que vem enfrentando com o chamado mensalão mineiro. Como bem situou o talentoso deputado Marcus Pestana, o apelido que deram à ação penal intentada contra o ex-senador, como bem demonstrado no seu pronunciamento, não equivale a nenhum mensalão, considerado este como a formação de um grupo heterogêneo de pessoas de variadas procedências, interesses e propósitos, unidos com o claro objetivo de praticar ilícitos penais, em favor de vários beneficiários, inclusive pessoas jurídicas de direito público. E por que mineiro? Apenas pelo fato de haver-se desenrolado em Minas? E se tivesse sido desenvolvido no lamaçal que cobre o Distrito Federal, onde chafurda o maior índice de corrupção que assola o país? Pior ainda, sob as vistas complacentes das maiores autoridades da nação, constituídas justamente para protegê-la dos malfeitos de toda ordem e da lassidão moral que corrói as entranhas mais sensíveis da sociedade política brasileira. Ocorre que, em Brasília, nada aconteceria. Seria, assim, imprestável para qualquer experiência a ser estendida a outros Estados da federação e à União. A hipótese não deve ser desprezada. Minas é unidade-chave do Estado federal. O que entre nós se faz repercute, toma feição de exemplo, até mesmo para afrontar a lei e a ordem jurídica. É que o Estado cultiva tradições muito sólidas. Ainda é comum falar-se do espírito de Minas, da sua vocação nacional, do seu comportamento irrepreensível quando se trata de comedimento, de equilíbrio, de ponderação, de pensar bem antes de decidir e fazer para não cometer equívocos, da sua ação moderadora para acalmar as reações agitadas ou radicais, de restaurar o poder da razão face ao crescimento perigoso dos motivos intempestivos. Devoto orgulho e admiração pelo nosso amor à ordem, rejeitando as atitudes precipitadas, inimigas do nosso temperamento reflexivo e responsável. Por isso, Minas Gerais se impõe ao respeito; enfim, o que dá certo aqui promove a convicção de que funcionará alhures, ainda que seja para romper a legalidade. Não é retórica vazia nem hipérbole inútil. Nós somos assim; daí a tentação de fazer o que fizemos. O mensalão federal foi uma espécie de imitação aplicada a uma aventura muito maior e mais ampla. Decerto, Eduardo Azeredo caiu na mesma armadilha na qual Lula quase se meteu. Quem governa, tem que delegar poderes, simplesmente porque não detém o conhecimento de tudo que se passa, particularmente no regime de reeleição, quando acumula as funções de governante com as de candidato, um dos erros incorrigíveis do sistema. Estou em que o nosso ex-governador foi vítima desse esquema, antes que beneficiário das suas facilidades. Assim, realizar a justiça, no caso, é livrá-lo da própria desdita. O sino de Marcos Pestana soou bem aos ouvidos atentos de Minas.

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