Documentário mostra o dia a dia da busca pela ‘partícula de Deus’

Descoberta do bóson de Higgs levou o teórico Peter Higgs a ganhar o Nobel

iG Minas Gerais | Dennis Overbye |

Realidade. David Kaplan, professor de Física da Johns Hopkins, e a física italiana Fabiola Gianotti perto do Grande Colisor de Hádrons
Anthos Media, LLC via The New Yo
Realidade. David Kaplan, professor de Física da Johns Hopkins, e a física italiana Fabiola Gianotti perto do Grande Colisor de Hádrons

Nova York, EUA. Os físicos têm apenas uma oportunidade a cada geração de descobrir uma nova partícula, isso se tiverem sorte.

Em 2006, ocorreu a David Kaplan, professor de Física da Johns Hopkins, que o tempo de sua geração estava à mão. Os cientistas e engenheiros do Cern, a Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, estavam dando os toques finais no Grande Colisor de Hádrons, a maior máquina científica já construída, com o objetivo de encontrar o bóson de Higgs, que seria responsável pela massa das outras partículas do universo.

Ninguém sabia se eles iriam encontrá-lo, mas tudo seria diferente, dependendo do resultado. “Com que frequência vemos alguma coisa do tipo acontecer quando todo o conhecimento de determinada área depende de um único evento”, questionou Kaplan, recentemente.

E foi assim que nasceu o documentário “Particle Fever” (A Febre da Partícula, em tradução livre), que acompanha um punhado de cientistas no Cern: vida e trabalho, festas e estudos na busca pela “partícula de Deus”, como ficou conhecida. O filme, que foi lançado nos Estados Unidos, foi produzido por Kaplan e dirigido por Mark Levinson.

Esse é um dos filmes raros em que os cientistas são os heróis – não tentando dominar o mundo, mas apenas tentando entender como ele funciona.

Se a história soa pouco interessante, você nunca viu o brilho no olhar de Monica Dunford, uma jovem aluna de pós-doutorado da Universidade de Chicago, enquanto ela explica como é receber novos dados pela primeira vez em uma geração, nem jogou pingue-pongue com Nima Arkani-Hamed no Instituto de Estudos Avançados; nem caminhou pelos longos labirintos do Grande Colisor de Hádrons, nos arredores de Genebra, que parecem retirados das mais loucas criações dos vilões de James Bond.

Naturalmente, o documentário tem um final feliz. A descoberta do bóson de Higgs, anunciada no dia 4 de julho de 2012, chegou às manchetes do mundo todo e levou o teórico Peter Higgs a ganhar o prêmio Nobel.

Kaplan passou dois anos estudando cinema na Universidade Chapman, no Sul da Califórnia, antes de receber o bacharelado na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e o doutorado na Universidade de Washington.

No início, ele pensava em escrever um livro sobre o novo colisor, mas a perspectiva de escrevê-lo sozinho era triste. Segundo ele, ficou claro “que queria fazer um filme”. Ele comprou uma câmera e começou a entrevistar físicos famosos sobre a importância do novo colisor, mas logo percebeu que precisaria de ajuda e de dinheiro.

Um amigo de sua irmã o ajudou a fazer um curta-metragem de oito minutos para promover o projeto. Através de sua mãe, que vivia em Los Angeles, Kaplan foi convidado a mostrar a ideia em uma reunião com investidores “anjos”.

Foi lá que ele conheceu Levinson, que havia ido apresentar sua próprias ideias. Ele havia se formado como físico teórico e estava fazendo seu Ph.D. na Universidade de Wisconsin antes de ir a Hollywood como editor de som em filmes como “O Paciente Inglês” e “O Talentoso Ripley”. Ele entrou para o projeto como diretor do filme de Kaplan.

Outro avanço ocorreu quando Walter Murch concordou em editar o filme. Uma lenda em Hollywood, Murch recebeu Oscars pela edição de som em “Apocalypse Now” e pela edição de imagem e de som em “O Paciente Inglês”.

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