O que está em jogo

iG Minas Gerais |

Quanto vale a aliança entre o PT e o PMDB? Vale muito quantitativamente para ambos, e nada para ninguém em termos de qualidade, afinal de contas, não estão em jogo programas partidários ou a discussão de grandes políticas públicas para o país. É uma aliança extremamente pragmática em busca da manutenção de poder, cada um à sua maneira. O PMDB, na verdade, não passa de um amontoado de números para o PT, números importantes, diga-se de passagem, quando se pensa no sistema eleitoral brasileiro. O partido tem, como os cientistas políticos gostam de falar, grande capilaridade, ou seja, representantes políticos espalhados por todo o Brasil, principalmente em prefeituras. São 21 senadores, 73 deputados federais, seis governadores e 1.007 prefeitos, isso além de milhares de vereadores e um enorme contingente de deputados estaduais. É uma sigla representativa, e sua influência não pode ser desconsiderada. Além disso, ou melhor, por causa disso, os peemedebistas detêm outros números extremamente valorizados em período eleitoral, em especial, nas disputas para cargos majoritários – presidente, governador, senador e prefeito: os minutos na propaganda eleitoral. Na disputa pelo Palácio do Planalto, pelas contas dos partidos, o PMDB teria algo como três minutos e 16 segundos no rádio e na TV. Esses minutos são tidos como decisivos para dar cerca de 13 minutos para a presidente Dilma na soma com o tempo dos demais aliados e do próprio PT – superior aos prováveis tempos de Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). O PMDB sabe do seu peso – e do pragmatismo petista – e por isso barganha alto do outro lado do balcão. Quer lançar candidaturas avulsas, mesmo onde estava acordado o apoio ao PT, como em Minas Gerais. E mais, quer ampliar o seu latifúndio em ministérios, secretarias especiais, agências reguladoras, autarquias federais e onde mais puder dentro da União. O comando de cada órgão federal implica também em inúmeros cargos a serem distribuídos, ampliando assim a rede de influência da sigla. Essas negociatas eleitoreiras não são exclusividade de peemedebistas e petistas. De olho em uma eventual dissidência entre as duas legendas em Minas, o PSDB já cresceu o olho sobre o PMDB e, sem nenhum pudor, ofereceu cargos na atual gestão e em uma futura, caso o candidato tucano ao governo de Minas, Pimenta da Veiga, saia vencedor. Em razão desse cenário tenebroso, de venda de cargos e de almas, é crescente a ideia da inutilidade dos sistemas eleitoral e político nos moldes como eles se dão hoje em dia. Os partidos não têm nenhuma representatividade diante de grandes parcelas da sociedade porque não têm nada a propor nem estão interessados nisso. No máximo, representam pequenos grupos de poder, em 99% das vezes, do topo da pirâmide. 

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