Companhia tem planos ambiciosos para sede no Rio

iG Minas Gerais | Silvana Mascagna |

Cena de “Irmãos de Sangue”, que fica até abril na cidade
Xavier Cantat divulgacao
Cena de “Irmãos de Sangue”, que fica até abril na cidade

Acostumados a trabalhar em dupla e/ou com atores convidados, Artur Ribeiro e André Curti, da companhia Dos à Deux, se viram no ano passado diante de um desafio inesperado: dirigir Luis Melo, um grande ator, é verdade, mas sem o corpo talhado para o tipo de teatro proposto pela dupla. “Escrevemos ‘Ausência’ para que André atuasse e eu dirigisse, em uma tentativa de nos separarmos em cena e fazer um solo. E a peça ficou em banho-maria por causa da nossa agenda, sempre cheia. Mas nossa produção aqui no Brasil inscreveu a peça na lei de incentivo da Prefeitura do Rio de Janeiro e ela acabou sendo aprovada. Só que nós não tínhamos condições de montá-la porque estávamos envolvidos em outro espetáculo. Resolvemos não fazer”, afirma Artur Ribeiro, contando que, dias depois dessa decisão, foi surpreendido com a notícia de que Luis Melo estava interessado em atuar em “Ausência”.

“Levamos um susto porque conhecíamos o Luis Melo, mas não éramos íntimos dele. E ele teria que entrar na nossa companhia e trabalhar do nosso jeito”, conta o artista. O jeito foi vir para o Brasil e propor ao ator um laboratório com os métodos de trabalho da Dos à Deux de três semanas e, só a partir dele, decidir montar ou não “Ausência”. “Foi maravilhoso. Melo se mostrou um ator desprovido de ego, que teve que correr muito atrás em busca de ferramentas para entrar na linguagem da companhia”, afirma Artur. “No fim, ‘Ausência’ virou um espetáculo criado por nós três, já que ensaiávamos uma partitura pelo meu corpo ou do André para depois ser adequada ao dele”, explica.

“Ausência” estreou no ano passado no Rio de Janeiro e agora cumpre turnê que já passou por São Paulo, Nordeste e até pela França. “Ela virá para Belo Horizonte com certeza. Temos muito carinho por esta cidade e o público, que nos acompanha desde que viemos pela primeira vez, em 2003, com ‘Aux Pieds de la Lettre’, precisa ver essa peça”, afirma Artur.

Casarão. Ainda que sem querer, “Ausência” se tornou o primeiro projeto da sede brasileira da Dos à Deux. Foi lá, num casarão de dez quartos, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, que a peça foi desenvolvida. “Foi um batismo, já que ainda não foi possível fazer uma inauguração, porque ainda está em reforma”, conta Artur.

A experiência com Luis Melo, aliás, é muito do que a dupla pretende desenvolver nessa sede. O projeto, conta Artur, se dará em três etapas. O primeiro deles é o centro de pesquisa. Depois, um lugar em que serão oferecidas masters classes de trabalho de corpo, com nomes internacionais e nacionais. E, num terceiro momento, residência artística. “Temos dez quartos, uma casa com pé direito de 16 metros, um espaço enorme que podemos abrir para que outros grupos possam ter o que temos na França, imersões em ensaios e pesquisar por três ou quatro meses, longe de casa, sem telefone, conta para pagar, essas coisas que tiram a concentração”.

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