Cinco homens e um segredo muito pouco envolvente

iG Minas Gerais | Daniel Oliveira |

Reymond vive um chefe do tráfico não muito convincente no filme
Downtown / Divulgação
Reymond vive um chefe do tráfico não muito convincente no filme

Quando os vários “porras” e “caralhos” pipocarem na tela em “Alemão”, o público vai logo identificar o rico vocabulário carioca desse tipo de produção. O que muitos não vão perceber é que eles saíram dos dedos do mineiro Gabriel Martins, fazendo sua estreia em roteiro de longa-metragem.

Para a tristeza dos bairristas, porém, o texto acaba sendo o ponto fraco do filme. A ideia original do produtor Rodrigo Teixeira era até interessante: imaginar como a identidade dos cinco policiais infiltrados foram vazadas antes da invasão do Complexo do Alemão em 2010.

O filme do diretor José Eduardo Belmonte começa com essa misteriosa revelação. Ela força os disfarçados Samuel (Caio Blat), Danilo (Gabriel Braga Nunes), Carlinhos (Marcelo Mello Jr.) e Branco (Milhem Cortaz) a se refugiarem na pizzaria de Doca (Otávio Muller), outro policial, enquanto são caçados pelo bonde do Playboy (Cauã Reymond, como o traficante mais lacônico, incompetente e menos assustador da filmografia nacional).

A partir daí, “Alemão” está menos interessado em estratégias de invasão e cenas de ação do que no confinamento desses protagonistas e nas tensas relações e suspeitas que se estabelecem entre eles.

O desafio é que o público não conhece, e portanto não se importa, com os cinco policiais. É a partir das interações entre eles e das informações que vão sendo gradualmente reveladas que o longa constrói a personalidade de cada um. E é por isso que o roteiro, e principalmente os diálogos são tão fundamentais – já que a produção está mais próxima de “Doze Homens e uma Sentença” e “Cães de Aluguel” que de “Tropa de Elite”.

Porém, em vez de delinear cada personagem por meio do diálogo, o roteiro insiste em confrontamentos cheios dos tais “porra” e “caralho” de uma pobreza dramatúrgica que se torna repetitiva já na primeira hora. Com isso, fica difícil para o espectador se importar com o que acontece ali e a trama parece não se mover.

A situação só melhora um pouco com a chegada da diarista Mariana (Mariana Nunes, MVP em cena), que acaba presa com os policiais por engano. Além de ser alguém com quem o público pode se identificar, é ela que traz uma discussão social do que realmente está acontecendo ali.

Apesar da fotografia pouco inspirada, Belmonte consegue imprimir a claustrofobia vivida pelos protagonistas. Ela e a tensão da premissa compensam pelo texto fraco, extraindo boas atuações do elenco. O resultado não chega a ser do caralho, mas também não é uma porra.

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