Fumo passivo danifica artérias de crianças de modo irreversível

Vasos sanguíneos se tornam até três anos "mais velhos" do que se não estivessem expostos à fumaça, o que eleva o risco de ataques cardíacos e infartes na idade adulta

iG Minas Gerais | Da Redação |

Levantamento divulgado pelo IBGE mostra que país tem 24,6 milhões de fumantes, o que equivale a 17,2% da população adulta
Leo Fontes - 14.4.2009
Levantamento divulgado pelo IBGE mostra que país tem 24,6 milhões de fumantes, o que equivale a 17,2% da população adulta

Que as crianças são prejudicadas quando expostas ao fumo passivo é algo que vem sendo provado há anos. Mas um estudo recém-publicado no 'European Heart Journal' traz novos dados sobre o risco que as crianças correm ao conviverem com adultos fumantes.

De acordo com a pesquisa, o fumo passivo causa danos irreversíveis às artérias de crianças, tornando os vasos sanguíneos até três anos "mais velhos" do que se não estivessem expostos à fumaça. Esse "envelhecimento" engrossa as paredes das artérias, o que eleva o risco de ataques cardíacos e infartes na idade adulta.

O estudo analisou mais de 2 mil crianças com idades entre 3 e 18 anos na Finlândia e na Austrália e concluiu que esse tipo de dano ocorria quando pai e mãe fumavam. "Nosso estudo mostra que a exposição ao fumo passivo na infância causa um dano direto e irreversível à estrutura das artérias", disse a coordenadora do estudo, Seana Gall, da Universidade da Tasmânia (Austrália). "Pais, ou mesmo casais pensando em ter filhos, devem parar de fumar. Não apenas para recuperar sua própria saúde, mas para proteger a saúde de seus filhos no futuro", concluiu.

Carótida Exames de ultrassom mostraram como os filhos de pais fumantes apresentavam mudanças na principal artéria do corpo, que vai do pescoço à cabeça. O estudo acompanhou as crianças durante anos. No início, as diferenças de espessura na parte da carótida analisada eram modestas. No entanto, elas passaram a ser bastante significativas após cerca de 20 anos, quando as crianças chegavam à idade adulta.

A pesquisa levou em conta outros fatores que poderiam explicar os danos arteriais, como se as crianças passaram a fumar quando adultas, mas os resultados se mantiveram mesmo assim. Esse dano, no entanto, não foi encontrado em crianças que cresceram com apenas um dos pais fumando – provavelmente porque o nível de exposição à fumaça não era tão alto. Mesmo assim, os pesquisadores afirmaram que não há um nível "seguro" de fumo passivo.

 

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