Bancada do PT pede CPI para apurar desvios em convênios

Ex-secretário de Assistência Social, vereador Léo Contador, é um dos envolvidos nas denúncias

iG Minas Gerais | Da Redação |

Ao portador. 
Ex-servidor recebeu cheque nominal de empresa contratada para fazer transporte de crianças em Betim. Ele mesmo descontou o cheque, conforme mostra cópia ao lado.
Ao portador. Ex-servidor recebeu cheque nominal de empresa contratada para fazer transporte de crianças em Betim. Ele mesmo descontou o cheque, conforme mostra cópia ao lado.

Após se tornarem objeto de investigação do Ministério Público, denúncias de corrupção envolvendo o ex-secretário municipal de Assistência Social e vereador de Betim, Edson Leonardo Monteiro, o Léo Contador (DEM), e o ex-servidor público Carlos Alberto Clarindo, o Carlão, que ocupava cargo de confiança na prefeitura, podem ser investigadas por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Os dois foram demitidos pelo prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB), na primeira quinzena deste ano, após o surgimento dos primeiros indícios de irregularidades.

O pedido de CPI foi feito nesta terça-feira, no plenário da Câmara Municipal, por três vereadores do PT com base em documentos que apontam desvios nos convênios “Socialização” e “Pró-Jovem”, firmados em 2013 entre a prefeitura e o Núcleo Assistencial Irmãos Glacus.

No último mês, a Controladoria do Município já havia identificados problemas nesses dois convênios. De acordo com o ex-controlador do município, Robspierre Miconi, demitido assim que o prefeito Carlaile Pedrosa (PSDB) retornou de licença médica, o município identificou que parte dos recursos milionários repassados à entidade foi parar em contas bancárias pessoais de Carlão.

O ex-servidor e sua irmã, Adriana Clarindo de Souza, constam na relação de pagamento no “Pró-Jovem” e no programa “Socialização”. “Eles teriam recebido de maneira irregular mais de R$ 600 mil dos cofres públicos. Todos os cheques foram debitados nas contas dos convênios e suscitam desvios de recursos”, relatou Miconi.

Locação

No mesmo convênio foi descoberto um esquema de desvio de recursos através da locação de veículos leves e ônibus para transportar crianças.

Segundo o ex-controlador, Carlão exigia cheques ao portador das empresas contratadas pela Glacus. “Os próprios motoristas dos ônibus nos disseram que de nove veículos contratados, quatro tinham o pagamento feito através de cheques para Carlão”, explicou Miconi.

Foi um desses cheques que o vereador Antônio Carlos (PT) apresentou para justificar o pedido de abertura da CPI. “A função da Câmara é legislar e fiscalizar. Portanto, é nosso dever apurar essas denúncias. Não podemos afirmar que se trata de corrupção, mas precisamos exercer nosso papel constitucional de investigar”, disse o vereador.

Sem resposta

A reportagem tentou falar, na tarde de ontem, com o vereador Léo Contador e com o ex-servidor Carlão, porém, eles não retornaram às ligações.

Vereadores reúnem documentos   O líder da bancada petista na Câmara de Betim, Eutair Santos, explicou que estão sendo levantados outros documentos, além da cópia do cheque apresentada pelo vereador Antônio Carlos, o que comprovaria esquema irregular com dinheiro público envolvendo o ex-servidor Carlos Alberto Clarindo, o Carlão, empresas de transporte, prefeitura e o Núcleo Assistencial Irmãos Glacus. “Reunimos os vereadores do PT e definimos que vamos pedir a CPI. Já estamos elaborando o requerimento e coletando provas que possam respaldar o trabalho da comissão”, disse Santos.  A CPI também tem apoio de outros dois vereadores, porém, de acordo com o regimento interno da câmara, para instaurar a investigação, será necessária a adesão de um terço do número total de vereadores, ou seja, oito parlamentares. Contrário ao processo de investigação, o presidente da Casa, Marcos Antônio da Paz, o Marcão Universal (PSDB), disse que, se depender dele, a CPI não será criada. “Jamais vou assinar um documento para criação de uma CPI para investigar um vereador. O que estão fazendo é um jogo para denegrir a imagem dos vereadores”, disse. Paralelamente, o Ministério Público deve ouvir todos os envolvidos, inclusive o presidente do núcleo Irmãos Glacus, João Augusto Reis, que teria permitido a utilização da entidade no suposto esquema de corrupção. A diretoria da ONG, formada por espíritas de Betim, estuda o afastamento de João Reis. A entidade Irmãos Glacus é reconhecida por relevantes trabalhos prestados à comunidade. Reis não foi encontrado pela reportagem.

Repercussão

"A função da Câmara é legislar e fiscalizar. Portanto, é nosso dever apurar essas denúncias. Não podemos afirmar que se trata de corrupção, mas precisamos exercer nosso papel constitucional de investigar". Antônio Carlos (PT) Vereador

"Eles (Léo Contador e Carlão) teriam recebido de maneira irregular mais de R$ 600 mil dos cofres públicos. Todos os cheques foram debitados nas contas dos convênios e suscitam desvios de recursos". Robspierre Miconi Ex-controlador da Prefeitura de Betim

"Jamais vou assinar um documento para criação de uma CPI para investigar um vereador. O que estão fazendo é um jogo para denegrir a imagem dos vereadores". Marcão Universal (PSDB) Presidente da Câmara

 

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