Falha no metrô lota o Move

Migração de usuários dos vagões acarretou filas nas catracas e tumulto no novo sistema

iG Minas Gerais | Luciene Câmara e Pedro Vaz Perez |

Empurra-empurra. Usuários reclamaram de plataformas e veículos lotados, filas e transtornos
André Fossati
Empurra-empurra. Usuários reclamaram de plataformas e veículos lotados, filas e transtornos

O segundo dia útil de experimentação do Move (nome dado ao BRT) se transformou nesta terça-feira em verdadeira “prova de fogo”, depois que os usuários, antes apenas conhecendo o novo sistema, se viram obrigados a utilizar o Move por causa de uma pane do metrô da capital. O problema aconteceu na linha 1 do metrô (Eldorado/Vilarinho), no horário de pico da manhã. Os passageiros da Estação São Gabriel e de outros terminais das imediações então migraram para o BRT, alternativa mais rápida para chegar ao centro – já que as pistas mistas da avenida Cristiano Machado, por onde circulam as linhas convencionais, estavam congestionadas. O resultado foram plataformas e ônibus lotados, filas nas catracas e muito tumulto.

A Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans) informou que reforçou a frota com cinco ônibus das 6h30 às 10h e manteve os 18 que já estavam em circulação. No entanto, a medida não foi suficiente para atender a demanda – a autarquia não informou o número a mais de usuários recebidos pelo Move nesta terça-feira.

A pane no metrô começou por volta das 7h30, quando as plataformas do Move já estavam movimentadas pelo fluxo natural de passageiros, que cresce a cada dia. Pouco antes das 8h, muitos usuários que não conseguiram pegar o metrô começaram a acessar a nova Estação São Gabriel, de onde partem os ônibus articulados. A aglomeração inesperada de passageiros causou filas nas bilheterias e catracas e deixou usuários sem saber se localizar na estação e que ônibus pegar.

Transtornos. Os ônibus da linha 83D – que seguem até o centro sem parar – foram os mais disputados. Na hora do embarque, houve gritaria e empurra-empurra na plataforma. A ocupação dos coletivos superava em muito os 33 passageiros sentados e 83 de pé, conforme capacidade máxima informada em cartaz dentro do ônibus. Do lado de fora, não havia agente controlando o limite de usuários em cada veículo.

Após esperar por mais de meia hora para conseguir entrar em um ônibus da linha 83D, a atendente Lúcia Nascimento, 53, conseguiu um espaço no coletivo. Entretanto, lá dentro, ela começou a se sentir mal por causa do aperto e dos empurrões e precisou sair.

“Achei que ia morrer, senti muita dor no peito e falta de ar. Tenho problemas cardíacos”, relatou. O desconforto continuou fora do coletivo, onde não havia bancos nem bebedouros disponíveis.

Já passageiros, que conseguiam conquistar à força seu espaço, também passaram por inconvenientes durante a viagem. Muitos que estavam nos corredores não conseguiam alcançar as alças e por isso não podiam se segurar. Além disso, o ar-condicionado de alguns veículos não foi suficiente para a grande demanda, e o calor era intenso. Passageiros que aguardavam em estações de transferência ao longo da Cristiano Machado desistiam de entrar nos veículos já abarrotados.

A auxiliar de serviços gerais Hilda Sousa Pereira, 72, saiu de casa às 5h30 e demorou três horas para conseguir chegar ao trabalho. De casa, ela pegou um ônibus para a Estação Primeiro de Maio, onde embarcaria no metrô. Mas, por conta da pane, precisou pegar outro coletivo até a Estação São Gabriel, onde acessou o Move.

No ônibus articulado, ela ficou em pé e se sentindo mal com o calor. “Esperava ao menos mais conforto no Move. Tenho 72 anos e não aguento mais passar por isso”, disse. Falha técnica causou a pane De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), um problema técnico no sistema de sinalização causou os atrasos no metrô. Como o sistema identificou, erroneamente, obstrução nos trilhos, as composições tiveram a velocidade reduzida para 25 km/h automaticamente. A pane ocorreu das 7h30 às 9h15 da manhã desta terça-feira, entre as estações Waldomiro Lobo e São Gabriel. Ainda segundo a CBTU, o problema foi regularizado, e os usuários que optaram por seguir viagem em outro meio de transporte tiveram seus bilhetes devolvidos. No entanto, a companhia não soube informar o número de bilhetes devolvidos nem se houve redução no fluxo de passageiros no metrô.

PM é acionada para conter tumulto A Polícia Militar (PM) precisou ser acionada durante tumulto na estação de metrô São Gabriel na manhã desta terça-feira. Impedidos de entrar na plataforma durante cerca de uma hora, usuários começaram a forçar as grades de segurança do portão de acesso. A irritação se agravou devido à demora dos trens na linha 1, atrasados devido à pane. Não houve registros de pessoas presas ou feridas. Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), o controle de fluxo também foi realizado na Estação Vilarinho. O motivo da restrição, ainda segundo a empresa, foi evitar aglomerações nas plataformas, garantindo a segurança dos usuários. Já na estação Ouro Minas, do Move, que estava muito cheia, passageiros relataram uma briga entre um usuário e um monitor de apoio, que teriam trocado socos após desentendimento. Funcionários do local, no entanto, negam a história.

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