O primeiro amor

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salomão salviano
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Silmara era tímida. Espantou, como se espantam mosquitos, todos aqueles que poderiam vir a ser seu primeiro amor, aos 13, aos 14, aos 15 anos. Foi só aos 16, com a chegada da primavera, que se permitiu, de verdade, viver uma paixão. E ainda assim o mérito foi todo dele, que, com paciência, dedicação e muita lábia, venceu todas as batalhas para conquistar, enfim, aquele coração.

Lúcio era extrovertido. Sabia dançar, e isso lhe conferia um charme todo especial. Nem se dava conta da sua falta de beleza, tamanho era o poder que exercia sobre a meninada. Era namorador, mas, até conhecê-la, dois meses era o tempo máximo em que se permitia ficar com alguém. Já na conquista, que demorou um ano, sentiu que, com ela, tudo iria ser diferente.

A impressão que se tem é que, não fosse Lúcio ter persistido, Silmara ainda estaria lá, enxotando todos aqueles que ousassem se aproximar.

Ele, não. Ele não se deixou enxotar. Primeiro, porque chegou como um amigo, assim como quem não quer muito. E, quando ela se deu conta, já estava completamente apaixonada. Ainda assim, por insegurança, mais do que por timidez, tentou resistir, mas ele, com sua insistência encantadora, não se deixou abater.

Não tinha ainda 18 anos, mas, como um homem de verdade, deu todas as provas de amor de que Silmara precisava e, assim, a fez ver que, se topasse a aventura com ele, não teria motivos para arrependimentos.

O que mais poderia querer uma garota que tinha medo do mundo? Alguém que, em sua lógica de adolescente, preferia adiar sua estreia no universo dos relacionamentos amorosos só para não correr o risco da decepção. E, Lúcio, por alguma razão, viu naquela resistência algo por que lutar, algo que não havia em todas as outras meninas que cativava sem muito esforço ou dedicação.

E assim foi que Silmara se tornou o primeiro amor de Lúcio. Sim, porque todos outros, até ali, nem poderiam ser chamados como tal. E Lúcio foi o primeiro amor de Silmara, de fato, já que outros – ela de alguma forma intuía – não teriam sido.

Ela sempre haveria de se lembrar do seu primeiro beijo, desajeitado, desencaixado, mas, ainda assim, inesquecível, porque cheio de vontade. E ele haveria de se recordar daquele como se outros, até então, não tivessem existido.

O roteiro protagonizado por Silmara e Lúcio foi, dessa forma, escrito por alguém que não gostava de drama, mas era chegado a um romance adolescente, com direitos a cenas de banhos de chuva, beijos apaixonados, muitas gargalhadas e pouquíssimas brigas.

A história de Lúcio e Silmara não termina com “... e viveram felizes para sempre”, como ambos acreditaram um dia. Mas, como seguiram à risca a receita do poetinha, três décadas depois, em algum momento de um dia qualquer, haveriam de se orgulhar de terem se permitido, com todo o frescor a que tinham direito, viver aquele amor, o primeiro de suas vidas.

P.S: Essa não é uma obra de ficção, qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais não terá sido mera coincidência.

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