A vocação hegemônica do PT e suas divergências com o PMDB

iG Minas Gerais |

DUKE
undefined

O período do Carnaval não foi capaz de conter o surgimento de novas divergências entre PT e PMDB, os dois principais partidos de sustentação do governo Dilma Rousseff. Aliás, desde 2011, a marca do “casamento” entre petistas e peemedebistas tem sido as idas e vindas dessas divergências, que podem ser atribuídas à vocação hegemônica de setores do PT. Essa hegemonia pretendida pelo PT gera atritos com o PMDB, já que há dificuldade e até falta de habilidade política do Palácio do Planalto de lidar com seu principal aliado. Por trás dessa insatisfação do PMDB está, conforme mencionado, o descontentamento com a candidatura de Lindbergh Farias no Rio de Janeiro. No entanto, essa é uma questão restrita a esse Estado. Ao que tudo indica, o principal interessado em criar atritos à aliança nacional entre PT e PMDB é Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que estaria empenhado na busca de recursos e espaços no governo. Segundo conversa da Arko Advice com um importante líder do PMDB, o que Eduardo Cunha estaria tentando é “entrar mais para o governo e não sair dele”. Assim, Cunha falaria por ele e por uma parte do PMDB, até pelo fato de ser o líder peemedebista na Câmara, mas não pela totalidade do partido. Tudo leva a crer que essa também é a avaliação feita pelo Palácio do Planalto sobre Eduardo Cunha. Não por acaso, o Planalto tomou a decisão de fortalecer a interlocução com o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB). O objetivo é não ficar refém de Cunha, que canaliza as insatisfações de parte significativa da Câmara dos Deputados, que recentemente criou o chamado bloco dos “independentes”. Vale registrar que, na avaliação desse líder peemedebista com quem a Arko conversou, apesar desse atrito e da tendência de PMDB e PT não estarem juntos em algumas disputas estaduais, é alta a possibilidade de a aliança nacional entre os dois partidos ser reeditada em outubro. Ainda na projeção feita por esse mesmo líder do PMDB, se a convenção nacional do partido, que tem o poder de deliberar sobre a aliança, fosse realizada hoje, a aliança com o PT ganharia a aprovação de 65% a 75% dos convencionais. Apesar do cenário favorável à reedição da união nacional entre os dois partidos, o governo necessita melhorar o diálogo com o PMDB. Por enquanto, o único gesto da presidente Dilma Rousseff foi oferecer o Ministério do Turismo ao senador Vital do Rêgo (PMDB-PB). No entanto, como o Turismo é uma pasta hoje comandada pelo “PMDB da Câmara”, a escolha de Vital pode acirrar os ânimos na Câmara. Por enquanto, temos poucos gestos do governo que indiquem maiores concessões ao PMDB. Mesmo que o governo esteja disposto a fortalecer a interlocução com Temer, a fim de isolar Eduardo Cunha, o PT não esboça disposição em ceder mais espaços ao PMDB na reforma ministerial, tampouco em apoiar candidatos peemedebistas a governador em Estados onde esse partido deseja ter o apoio do PT. Porém, a entrada do ex-presidente Lula nas negociações com o PMDB deve contribuir para amenizar a tensão existente com o PT. Melhorar o diálogo com o PMDB é uma necessidade para o governo. Além de evitar problemas na Câmara e até uma possível contaminação no Senado, é fundamental que o PT busque não apenas ter o tempo de TV do PMDB ao lado de Dilma Rousseff, mas também a poderosa máquina peemedebista trabalhando a favor da reeleição da presidente.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave