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JAQUELINE ARAUJO – 13.4.2011
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A vida agitada e corrida, os problemas pessoais e profissionais que todos nós temos de enfrentar no dia a dia, o cansaço e o estresse provocados pelos muitos engarrafamentos, trânsito parado, buzina sem controle e toda sorte de imprevisto os quais estamos sujeitos a encarar assim que saímos de casa ou do trabalho têm resultado em uma grave e triste constatação: é cada vez maior a fúria ao volante. Pode parecer exagero, em um primeiro momento, afirmar que uma briga de trânsito pode ter consequências muito maiores que desentendimentos outros, isso porque não há nada mais imprevisível do que o outro motorista. Este pode se transformar em um inimigo oculto. Tudo isso que relatamos acima faz com que as atitudes tomadas no calor de uma discussão advinda de um enfrentamento por causa de uma fechada, por exemplo, potencializem e canalizem, para aquele momento, uma carga de raiva e até de coragem para uma briga que não seria comum em outra situação. Somadas as duas reações de fúria dos envolvidos, o final da história está longe de ser feliz. Prova isso aconteceu no começo deste ano, quando um homem foi esfaqueado em Belo Horizonte por um motorista de ônibus, depois de uma briga. Situação mais grave também foi registrada, na capital, dias antes deste episódio. No segundo caso, o resultado foi a morte de um dos envolvidos. Depois de ter seu carro batido e constatar que o responsável pelo acidente não iria parar, o que sofreu a batida tentou “correr atrás do prejuízo” e assim que alcançou o outro carro, não deu nem tempo de tomar satisfação. Foi descendo de seu veículo e sendo alvejado por cinco disparos fatais. Triste sina dos que não conseguem se controlar e nessa hora crucial em que tudo que se deseja é devolver o desaforo, quando, na verdade, o melhor e mais indicado, mesmo, é relembrar do sábio ditado que ensina que “quando um não quer, dois não brigam”. Não é fácil, reconheço, como motorista veterano, mas é preciso ter controle. Um dado que impressiona: dos quase 3,8 milhões de novos condutores que receberam a habilitação para dirigir durante os 12 meses do ano passado, 450 mil são de Minas Gerais. E é claro que por trás de cada volante, nem sempre está um motorista paciente e educado. Estudos para um maior entendimento dessa situação estão em curso e enquanto a Síndrome da Fúria ao Volante não pode, de todo, ser controlada, seguem umas dicas da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), que usadas à risca tornarão a vida ao volante menos estressante e o ir e vir cotidiano mais agradável. Ao encontrar um motorista agressivo, respire fundo; não contra-ataque; saia com segurança do caminho do motorista agressivo; evite contato visual; ignore os gestos e não revide; não desafie um motorista agressivo; não lute por uma vaga de estacionamento; anote a placa do infrator e avise às autoridades; se um motorista agressivo estiver lhe seguindo, dirija até uma delegacia de polícia. Para terminar, o estacionamento em locais proibidos, como calçadas, filas duplas e vagas para idosos ou deficientes físicos, foi uma das queixas da falta de gentileza no trânsito, segundo um levantamento feito entre os internautas do site Movimento Trânsito+Gentil. Em contrapartida, as gentilezas mais citadas pelos pesquisados incluem dar passagem para outro motorista, pedestre ou ciclista, buzinar apenas quando necessário e relevar um erro de outro motorista. Pense nisso antes de se irritar. Ao menos tente, e não se arrependerá. Todos nós somos responsáveis pela construção de um trânsito mais humano.

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