Olhar para a vida dos Zo’é

Rogério Assis participa do Foto em Pauta no Oi Futuro e comenta sobre sua experiência no campo do documentário

iG Minas Gerais | Carlos Andrei Siquara |

Ensaio. Imagens produzidas pelo paraense Rogério Assis entre 1989 e 2009 estão publicadas no livro “Zo’é”, lançado no fim de 2013
rogério assis/reprodução
Ensaio. Imagens produzidas pelo paraense Rogério Assis entre 1989 e 2009 estão publicadas no livro “Zo’é”, lançado no fim de 2013

Rogério Assis foi o primeiro fotógrafo a registrar os índios Zo’é em um encontro que aconteceu por acaso em 1989, na região Noroeste do Pará. Duas décadas depois o fotógrafo paraense, radicado em São Paulo, retornou ao local e produziu o ensaio que veio a público no título “Zo’é” (editora Terceiro Nome,128 págs., R$ 70), lançado no fim do ano passado. Convidado para participar do evento Foto em Pauta, que acontece hoje no Oi Futuro, Assis rememora essa experiência e aborda sua trajetória no campo da fotografia documental.

Naquela época, o contato com o povo indígena aconteceu em meio a um trabalho para a Fundação Nacional do Índio (Funai). Ele havia sido contratado para fazer uma entrevista com o coronel Cantídio Guimarães, ex-presidente da entidade, o que resultaria num vídeo institucional. A chegada da informação da descoberta da aldeia, que sofria com a problema de doenças, como a gripe, em razão do convívio com os religiosos, mudou os planos da equipe e mobilizou uma ação, que para ele durou cerca de cinco horas.

“Foi uma passagem muito rápida e as fotos serviram mais como uma espécie de registro. Só em 2009, quando voltei ao local, com a permissão da Funai, eu consegui exercer um olhar mais íntimo, permanecendo entre eles durante 25 dias”, conta Rogério Assis.

As imagens que produziu em sua segunda viagem, comparadas àquelas criadas na anterior, revelam um outro momento. “No fim da década de 1980, a comunidade estava com a saúde muito debilitada. Hoje, a situação é diferente, desde que foi praticada a política de defesa do isolamento dos índios. Eles recuperaram a qualidade de vida que tinham antes da chegada dos missionários”, revela o fotógrafo.

Ao longo do período em que esteve na região, Assis visitou oito das 14 aldeias da etnia Zo’é. Realizava caminhadas que iam de uma a sete horas para encontrar a vida existente em torno das habitações indígenas.

Para captar o cotidiano que foi adentrando aos poucos, Assis diz ter optado por fotografar com paciência, experimentando a convivência sem correr para disparar a câmera sem que os índios estivessem familiarizados com sua presença.

“Nessa minha segunda passagem eu fotografei muito pouco. Eu queria estar o mais próximo do dia a dia deles. Se eu saísse fotografando tudo era bastante provável que eles não ficassem à vontade. Então, enquanto estive lá eu fotografei muito pouco. Fiquei mais sentado e passeando com eles, tentando fazer com que se acostumassem com a minha estadia ali”, relata.

O resultado desse trabalho é um retrato da vivência cotidiana no meio da floresta, perpassando momentos de felicidade e de aspereza. As tarefas domésticas, os rituais e os momentos de descanso estão gravados, para Assis, como referências de ensinamentos. “Eu fui lá para entender e não para ensinar nada. Quem vive num ambiente daquele tão inóspito para nós é que tem algo a nos mostrar. Ali nossa contribuição é praticamente nula”, conclui.

Agenda

O quê. Foto em Pauta com Rogério Assis

Quando. Hoje, às 19h30

Onde. Oi Futuro (av. Afonso Pena, 4001, Mangabeiras)

Quanto. Entrada franca

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