Espetáculo estreia e leva à cena diversos humores

Grupo Quatroloscinco estreia seu quarto trabalho e experimenta novamente a direção compartilhada

iG Minas Gerais | gustavo rocha |

Externo, Pela primeira vez em seus sete anos de vida, grupo contou com um olhar de fora na criação
Guto Muniz
Externo, Pela primeira vez em seus sete anos de vida, grupo contou com um olhar de fora na criação

Se você for ao dicionário atrás do significado da palavra “Humor” aparecerão, pelo menos, seis diferentes significados para o verbete. No entanto, é comum restringir o humor ao “senso de” ou ao bom e o mau humor. Ao iniciar a pesquisa de um novo espetáculo e levar os desejos individuais de seus integrantes para a sala de ensaio, o grupo Quatroloscinco – Teatro do Comum, quis justamente extrapolar o uso cotidiano da palavra. O espetáculo “Humor”, fruto dessa imersão, estreia amanhã.

As relações do homem com a passagem de tempo e com a ininterrupta e lenta morte do corpo são trazidas à tona, na peça. “Humor” joga com as afetações e os estados emocionais para construir uma cena excêntrica, em um lugar indeterminado entre a comédia e o drama. A obra parte dos diversos significados da palavra para explorar as manifestações corporais, os líquidos que correm dentro do organismo: nossos humores, os motores que nos fazem continuar existindo.

“Diferente de nossos trabalhos anteriores, esse é nosso primeiro espetáculo que começa pelo nome. Geralmente é a última coisa que decidimos. Ficamos instigados com a palavra humor e seus sentidos e acho que também atrairá o público”, explica Marcos Coletta, ator e integrante da companhia. Ele revela que o processo de criação prima pela coletividade. “Geralmente, começamos do nada. E cada um leva aquilo que interessa para a sala de ensaio. Depois, começamos a encontrar os pontos de interseção entre os diversos desejos individuais e finalmente decidimos qual caminho desejamos trilhar”, explica.

Juntamente com Assis Benevenuto, Coletta também assina o texto da peça. “Esse é uma marca de nossa companhia. A dramaturgia própria. Fazemos um teatro de texto. Somos um grupo que gosta da palavra”, garante Coletta.

Em seu quarto trabalho, o coletivo segue a criação coletiva compartilhada. No entanto, pela primeira vez, o trabalho da companhia contou com a participação efetiva de um observador externo: Rodrigo Campos. “Nós não queríamos um diretor, porque queríamos permanecer com controle sobre nosso trabalho. Às vezes, a figura do diretor toma decisões pelo coletivo e faz escolhas que são dele. O Rodrigo interferiu no trabalho como quis. Ele apontou caminhos, deficiências e potências que nós mesmos, dentro da cena, não notávamos. E foi interessante porque ele tem um olhar multidisciplinar com o cinema, as artes visuais e o teatro”, ressalta o artista.

Com sete anos de vida, o Quatroloscinco chega à sua quarta montagem com semelhanças entre elas e em claro processo de amadurecimento. “Acho que pelas escolhas estéticas e a forma como trabalhamos a criação, nós atingimos uma nova fase, estamos entrando nela. Essa coisa dos ciclos de sete anos. Agora, são sete anos daqui pra frente. Ainda assim, estamos construindo uma identidade e é uma coisa processual. Por conta disso, as temáticas de nosso espetáculos são parecidas. Algumas coisas que começam em um processo não se esgotam, portanto, elas podem continuar no trabalho seguinte”, explica o ator.

Agenda

O quê. Estreia “Humor”

Quando. Amanhã, somente para convidados. Para o público, de sexta a 23/3. Quinta a sábado, às 20h30; domingo, às 19h

Onde. Funarte (rua Januária, 48, Floresta)

Quanto. R$ 16 e R$ 8 (meia-entrada)

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